Aleksis Kivi

Escritor finlandês, Alexis Stenvall nasceu a 10 de outubro de 1834, em Nurmijärvi, nas cercanias de Helsínquia. Oriundo de uma família de parcos recursos, era filho de um alfaiate letrado e fluente no idioma sueco, a língua oficial da administração na Finlândia da época. Foi do pai que recebeu os ensinamentos da língua.
Em 1846 deixou o lar para ir estudar em Helsínquia, ficando alojado em casa de um guarda prisional. Mudou-se depois para junto de um colega de profissão do seu pai, também letrado, e possuidor de uma pequena biblioteca que terá feito as delícias do jovem escritor.
Não obstante, os seus estudos foram levados a cabo de forma irregular e melindrosa, chegando mesmo a passar fome, e só conseguiu terminar o ensino secundário aos vinte e três anos de idade. Ingressou em 1859 na Universidade de Helsínquia, e aí tomou contacto com obras de autores dramáticos como Shakespeare e fez amizades influentes. Para além de Elias Lönnrot, Julius Krohn, Fredrik Cygnacus e Emil Nervander, conheceu também o filósofo e político J. V. Snellman, que o auxiliou financeiramente. Inserindo-se assim nas esferas do movimento nacionalista finlandês, resolveu, como muitos compatriotas seus da altura, trocar o seu nome de raiz sueca por uma aproximação ao idioma finlandês, optando por Kivi em lugar de Stenvall.
Tornou a desmotivar-se nos estudos, mas desta feita por se ter empenhado de corpo e alma à tentativa de singrar na escrita. Assim, nesse mesmo ano de 1859 publicou a sua primeira obra, uma peça de teatro inspirada na epopeia nacional finlandesa, o Kalevala, com o título Kullervo. A obra não só lhe garantiu as boas graças do fundador do Teatro Nacional, Kaarlo Bergbom, como saiu vencedora de um concurso organizado pela Sociedade Literária da Finlândia. O montante do prémio permitiu a Aleksis Kivi prosseguir no seu esforço criativo.
Mudou-se então para a sua terra natal onde, contando com o auxílio monetário de uma benfeitora de nome Charlotta Lönnqvist, se pôde dedicar por inteiro à sua vocação. Publicou, em consequência, uma outra peça de teatro, Nummisuutarit (1864), que veio a ganhar o Prémio de Estado finlandês.
Decidiu ir viver para Siuntio, visitando Helsínquia ocasionalmente, consumindo álcool em exagero e demonstrando propensão para a depressão. A aparição, em quatro volumes, da obra que o consagrou, Seitsemän Veljestä (1870), não sucedeu sem complicações.
No romance, Kivi contava em tom bem-humorado a história de sete irmãos vivendo na província e que, confrontados com o preceito luterano de que todos os cidadãos devem aprender a ler e a escrever antes da comunhão, resolvem fugir para a floresta. Aí passam uma série de peripécias e infortúnios, pelo que optam por regressar ao seio da comunidade, amadurecidos e responsáveis.
Tomando o romance como uma crítica à estreiteza de mentalidade do povo, que os meios intelectuais procuravam unir como nação, Kivi foi perseguido pelos críticos, que não compreenderam a faceta mitológica da obra. Foi a última publicada antes da morte do autor.
Sem apoiantes, Alekis Kivi deparou-se com dificuldades económicas e com um surto de esquizofrenia. Internado em agosto de 1871 no hospital psiquiátrico de Lapinlahti, foi resgatado, nove meses depois, pelo irmão, que tratou de alugar uma cabana no meio da floresta de Tuusula. Aí passou os últimos meses da sua vida, até falecer a 31 de dezembro de 1872. Reza a lenda que as suas últimas palavras terão sido: "Estou vivo".
Aleksis Kivi é considerado como o maior dramaturgo finlandês.
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