Alexandre III (Papa)

Papa italiano, com o nome de Rolando Bandinelli, era professor de direito em Bolonha e nasceu por volta do ano 1100, em Siena. Tendo chegado ao cargo de cardeal em 1150, foi conselheiro do papa Adriano IV e eleito pontífice de Roma, a 7 de setembro de 1159, pela maioria dos cardeais do Colégio, contra os restantes, que elegeram o antipapa Vítor IV. Governou até 30 de agosto de 1181.

Consagrado na localidade de Ninfa (Velletri), a 20 de setembro de 1159, defrontou-se com um cisma que duraria dezoito anos, sendo a sua legitimidade contestada pelos partidários de Vítor IV. O imperador Frederico Barbarroxa quis aproveitar a oportunidade para arbitrar a decisão, ganhando deste modo poder sobre a Igreja. Foi assim que no Concílio de Pavia, em fevereiro de 1160, Vítor IV foi declarado o ocupante por direito da cátedra de São Pedro. Contudo, houve muitos clérigos que não concordaram com a decisão, uma vez que Alexandre III tinha sido eleito pela maioria, tendo João de Amagni, legado de Alexandre, excomungado o imperador e o antipapa (sendo este anátema confirmado pelo papa, contrariamente ao que aconteceu com o de Frederico), a 27 de fevereiro de 1160.
O sínodo de Toulouse, realizado no mês de outubro de 1160, legitimou Rolando Bandinelli, sendo o papa obrigado a estabelecer-se em Sens durante cerca de dois anos, dada a instabilidade que imperava em Roma. Apoiado por Luís VII de França, Henrique II de Inglaterra, pela novíssima ordem de Cister e diversos teólogos, Alexandre empreendeu uma enérgica política de repressão da heresia valdense (que preconizava a pobreza absoluta) e sobretudo da albigense (ou cátara, que defendia a pureza elevada ao seu expoente máximo, eliminando por conseguinte a possibilidade do matrimónio). Foi assim que o papa delegou no conde Raimundo de Toulouse a incumbência de destruir os castelos dos que seguissem esta última doutrina, que os aprisionasse e que lhes apreendesse as posses.

Alexandre III contava com o apoio dos lombardos (que inclusivamente tinham edificado uma cidade, perto de Tortona, à qual deram o nome honorífico de Alexandria) e de Guilherme da Sicília, o que favoreceu a sua entrada em Roma a 23 de novembro de 1166, tendo-se nesta altura retirado da cidade o antipapa Pascoal III (entretanto eleito pelos partidários do falecido Vítor IV). No entanto, o papa viu-se obrigado a fugir temporariamente para Benevento, uma vez que Frederico Barbarroxa invadiu Roma e impôs de novo o antipapa.

Alexandre acabou por voltar a Roma em completo triunfo, em março de 1178, com o voto de obediência do imperador derrotado pelas forças aliadas ao Sumo Pontífice. Foi durante este pontificado que o papa reconheceu D. Afonso Henriques rei de Portugal, pela bula Manifestus probatum.

Em 1179 realizou-se um concílio em Latrão, onde, entre muitas outras importantes disposições, ficou estabelecido que a eleição de um pontífice seria feita, no mínimo, por dois terços do Colégio cardinalício, e que o ensino tomaria um lugar primordial na política da Igreja.


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