Alfarabi

Abu-Nasr Mohammed ben-Mohammed ben-Tarkhân, conhecido pelo nome da sua cidade natal, Farâb, no Turquestão. Desconhece-se a data exata do seu nascimento, embora seja avançado o ano de 870. Sabe-se, contudo, que morreu em Damasco no ano de 950. Foi médico, matemático e filósofo estudioso e comentador das obras de Aristóteles, sobretudo do Organon.
Tentou a reconciliação entre o pensamento de Platão e Aristóteles, argumentando que as diferenças entre eles foram apenas as perspetivas em que cada um se colocou e o vocabulário que daí resultou. Esta reconciliação do aristotelismo com o platonismo tinha por base uma obra que circulou sob o nome de Aristóteles - Teologia de Aristóteles -, mas que era, na realidade, de Plotino (neoplatónico).
A cosmologia proposta por Alfarabi baseava-se precisamente na cosmologia plotiniana. O ser supremo, Deus, é o Primeiro, é Um, absolutamente simples, não há nada que se lhe oponha e é impossível de definir. Todavia, ao contrário de Plotino e por fidelidade ao Corão, Alfarabi encontra para Deus atributos positivos: o Vivo, puro intelecto, o pensamento do pensamento. O Um contemplando-se origina o Dois e este, pelo mesmo processo, origina o Terceiro e assim sucessivamente. Por outras palavras, em termos de cosmologia, da esfera das estrelas fixas resulta o céu de Saturno, deste o de Júpiter, depois o de Marte, do Sol, Vénus, Mercúrio e Lua; daqui derivam os quatro elementos (fogo, ar, água e terra), depois os reinos mineral, vegetal e animal, para terminar no próprio homem.
O pensamento ético e político de Alfarabi está subordinado a esta conceção cosmológica. Tanto a ética como a política visavam o aperfeiçoamento do homem e da sociedade, no sentido da criação da cidade ideal, divina.
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