Alfredo Cortez

Dramaturgo português, nasceu a 29 de julho de 1880, em Estremoz, e faleceu a 7 de abril de 1946, em Oliveira de Azeméis. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, exerceu sobretudo profissões jurídicas. Fixou-se em Angola em 1920, como diretor da Polícia de Investigação Criminal, regressando posteriormente a Lisboa. Revelou-se com Zilda, peça aplaudida em 1921 pelo meio teatral lisboeta, e ainda inserida na tradição dramática realista-naturalista, mas que anuncia como traço distintivo da sua dramaturgia o realismo doloroso e impiedoso que a publicação de Lodo confirmará. Duarte Ivo Cruz (CRUZ, Duarte Ivo - introdução a Teatro Completo, Lisboa, INCM, 1992) assinala na evolução literária do autor como etapas não linearmente sucessivas a passagem de um realismo violento à produção de cunho expressionista, cuja pedra de escândalo foi Gladiadores, à tentativa de uma série de peças de temática confessional, com Lourdes, O Ouro e Domus e, finalmente, à incursão por um regionalismo poético. Desenvolvida no período de entre as duas grandes guerras, perpassa toda a sua produção a "pintura da dissolução moral e social da burguesia possidente" (REBELLO, Luís Francisco - 100 Anos de Teatro Português (1880-1980), Porto, Brasília, 1984, p. 65), que não recusa um intuito pedagógico e crítico, mesmo em intrigas de base fatalista; a "ousadia dos temas e processos" (id. ib.); a evocação verosímil de ambientes, psicologias e condutas; o tom contundente e sub-repticiamente iconoclasta.
Como referenciar: Alfredo Cortez in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-11-14 03:17:02]. Disponível na Internet: