Aljezur

Aspetos Geográficos
O concelho de Aljezur, do distrito de Faro, localiza-se na Região do Algarve (NUT II e NUT III). É limitado a oeste pelo oceano Atlântico, a este pelo concelho de Monchique, a norte por Odemira do distrito de Beja, a sul por Vila do Bispo e a sudeste por Lagos. Ocupa uma superfície de 323 km2, distribuída por quatro freguesias: Aljezur, Bordeira, Odeceixe e Rogil.
Em 2005, o concelho de Aljezur apresentava 5282 habitantes.
O natural ou habitante de Aljezur denomina-se aljezurense.
Apresenta um clima temperado mediterrânico, com verões quentes e secos e invernos suaves; a precipitação distribui-se de forma irregular ao longo do ano, concentrando-se nas estações de outono e primavera.
Existem alguns recursos hídricos, nomeadamente a ribeira do Seixo, a ribeira de Aljezur e a ribeira do Areeiro. No litoral do concelho destacam-se a praia de Odeceixe, a praia da Bandeira, a praia da Arrifana, a ponta da Atalaria, a ponta da Arrifana e o Pontão.
Quanto a zonas de relevo, são de salientar a serra de Espinhaço de Cão, que limita Aljezur a este, e os montes de Forte Corxo (122 m), vale Formoso (334 m) e vale da Casca (287 m).
Associado ao concelho está o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, que abrange o litoral dos concelhos de Sines, Odemira, Aljezur e Vila do Bispo. É uma zona de importantes valores naturais - paisagísticos, geológicos, geomorfológicos, florísticos e faunísticos- e património arquitetónico, histórico, ou tradicional, e arqueológico. O parque estende-se por três distritos: Setúbal, Beja e Faro, e nos seus limites inclui-se o mar, numa faixa de 2 km.
História e Monumentos
As origens do concelho remontam ao período pré-histórico, como provam achados arqueológicos em pedra polida e sílex e vestígios da presença dos mirenses (povo nómada que viveu entre a foz do rio Mira e Burgau).
Aljezur foi fundada no século X, pelos Árabes, e passou a território nacional em 1249, no reinado de D. Afonso III, por ação do Mestre da Ordem de Sant'Iago, D. Paio Peres Correia. A 12 de novembro de 1280, D. Dinis concedeu foral a Aljezur.
Assim como outras zonas do distrito de Faro, Aljezur foi vítima da destruição provocada pelo terramoto de 1755.
A nível do património monumental e arquitetónico, são de salientar:
- o Castelo de Aljezur, que tem forma poligonal e é constituído por uma torre principal, cilíndrica e alguns panos de muralhas;
- a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Alva, padroeira da vila;
- a Igreja da Misericórdia de Aljezur, que foi reconstruída no século XVI, e sujeita a trabalhos de reconstrução após o terramoto de 1755. O portal da igreja é em estilo renascença;
- o Forte de Arrifana, que é uma construção de 1635 e foi reedificado em 1670, tendo como principal objetivo a defesa de uma armação de pesca;
- a Igreja da Carrapateira, que passou a ser o local de devoção a Nossa Senhora da Conceição, padroeira do reino aquando da restauração da independência, em 1646;
- o Forte da Carrapateira, que foi construído em 1673 por D. Nuno da Cunha de Ataíde, conde de Pontevel e governador do reino;
- a Igreja Paroquial de Odeceixe (século XIX), que apresenta uma arquitetura simples sendo o seu interior de uma só nave, sendo a capela-mor de estilo neoclássico. Tem como padroeira Nossa Senhora da Piedade;
São de relevar, também, os seguintes museus:
- o Museu Municipal (Aljezur), instalado no antigo edifício da Câmara Municipal, que contém o núcleo de arqueologia com achados encontrados no concelho, apresenta uma galeria destinada a exposições temporárias e possui um Núcleo de Etnografia, com objetos, utensílios e vestuário da etnografia local;
- o Museu de Arte Sacra (Aljezur), dedicado a Monsenhor Cónego Manuel Francisco Pardal;
- o Museu Antoniano (Aljezur), outrora Capela de Santo António, construída no século XVII;
- a Adega-Museu (Odeceixe), núcleo museológico que recria um espaço de adega tal como existia nas décadas 20 e 40;
- a Casa-Museu Pintor José Cercas (Aljezur), onde se podem ver peças de louças nacionais e estrangeiras, faianças, esculturas, arte sacra, valioso mobiliário de várias épocas, quadros e desenhos da autoria do pintor e outras pinturas de artistas nacionais.
O concelho é também caracterizado pela existência de vários moinhos de vento, nomeadamente os moinhos da Arregata e de Odeceixe.
Tradições, Lendas e Curiosidades
Neste concelho, realizam-se a festa do município, no dia 29 de agosto, e a feira anual, a 25 de setembro.
A padroeira do concelho é Nossa Senhora da Alva.
A nível de artesanato, destacam-se os trabalhos em cerâmica figurativa, chaminés em gesso, trabalhos em barro, trabalhos em vime e vidro, cestaria e trabalhos em ferro.
Ao concelho estão associadas duas personalidades: José Cercas (1914-1992), pintor, que doou a sua casa à Câmara Municipal para que fosse estabelecida uma casa-museu com o seu nome, e o Monsenhor Cónego Manuel Francisco Pardal.
Sobre a tomada do Castelo de Aljezur, conta-se que, em 1246, D. Paio Peres Correia, ao serviço de D. Sancho II, cercou o Castelo de Alzejur aguardando a melhor altura para o tomar. Entretanto, um dos cavaleiros do seu exército apaixonou-se por uma moura que acabou por lhe revelar um segredo sobre os costumes do seu povo. Segundo a tradição, os homens tomavam banho todos os anos na manhã do terceiro dia após o solstício de verão. Ao saber desta informação, D. Paio organizou as suas tropas de modo a preparar a tomada do castelo no dia 24 de junho de 1246, altura em que só se encontravam no castelo mulheres, crianças e idosos, devido ao facto de os homens estarem a cumprir a dita tradição. O castelo foi tomado e os árabes massacrados.
Economia
No concelho, o setor primário é o mais importante dos três setores de atividade económica. A área agrícola ocupa cerca de 75,7% da área do concelho, preponderando os cultivos de cereais para grão, os prados temporários, as culturas forrageiras, a batata, o pousio, a vinha, os prados e pastagens permanentes. No que diz respeito à pecuária, aves, bovinos e suínos destacam-se como as principais espécies criadas. Este concelho tem uma baixa densidade florestal, da ordem dos 20% da superfície agrícola útil, que correspondem a 4576 ha, e é constituída essencialmente por azinheiras, sobreiros, medronheiros e cerros redondos e encadeados, cobertos de estevas.
Como referenciar: Porto Editora – Aljezur na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-07-31 18:32:39]. Disponível em