Alma Nova

Terceira coletânea de poesias de Guilherme de Azevedo, dedicada a Antero de Quental, publicada em 1874. As composições aqui reunidas demonstram bem a transição definitiva, bem descrita pelo crítico Cândido de Figueiredo, do sentimentalismo romântico para a poesia de combate: "a poesia social, armada do gládio de Tarquínio, entra no jardim das primaveras românticas e decepa as flores mais cândidas do coração do poeta". Definindo circularmente a Poesia, na primeira e na última composições do livro, como irmã da "Justiça", voz da "Verdade" e dos "novos ideais", Guilherme de Azevedo celebra as "máquinas febris", motores do progresso, "o conúbio ardente / do Génio e do Trabalho", a ciência, a civilização e sobretudo a Humanidade: atente-se na extensa composição "As vítimas", onde se arrastam em "procissão" as variadas "vítimas da sorte e vítimas do mundo", que não são mais do que os socialmente oprimidos (prostitutas, mendigos, costureiras, soldados, mineiros...); veja-se igualmente a poesia "A hidra", onde se anuncia a vingança da "Ideia" contra "os Papas" e "os Reis".
Como referenciar: Alma Nova in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-09-22 17:54:01]. Disponível na Internet: