Almóadas

Os Almóadas, "os que creem em Deus", são uma dinastia proveniente de Marrocos, fruto da seita Al-Mahdi, que substituiu a dinastia dos Almorávidas, fundada em 1121 (ano 515 da Héjira) e mantida até 1269; controlaram o território meridional da Península Ibérica nos primeiros tempos da monarquia portuguesa, até D. Afonso III. Os Portugueses, na sequência da guerra com este povo, fixaram então os limites do reino.
Ali Ibn Yusut (Abul-Hassan) reinava na Andaluzia e no Magrebe, mas na sua dinastia começava a operar-se uma revolução política e religiosa. Um berbere de nome Adu Abdillah Mohammed Ibn Tiumarta, que estudara teologia islâmica com Al-Ghazaly de Bagdade, estava então a fundar uma nova seita no Ocidente, assistido pelo seu discípulo predileto Abdul-Mumen.
Este reformador andou pelo Magrebe, dirigindo-se até Marrocos, onde pregou contra os Almorávidas, acusados de politeístas. Uma vez expulso da região, estabeleceu-se num cemitério próximo onde continuou a ser acompanhado por um crescente número de discípulos. Nesta época o reformador tomou o nome de Al-Mahdi. Temendo ser atacado pelo amir, Al-Mahdi fugiu para Tynmal, mas sempre acompanhado pelos Almóadas (al-muwahedun).
De 1122 até 1130, data em que morreu Al-Mahdi, os Almóadas conseguiram muitas vitórias contra os Almorávidas. À sua morte sucedeu-lhe Abdul-Mumen, que se declarou califa (al-mumenin). De seguida, o califa substituiu em 1137-1138, no governo da Espanha muçulmana, o seu irmão pelo seu filho Taxfin, num período de derrocada da dinastia almorávida.
Entretanto, Afonso VII, de Leão e Castela, em paz com Portugal, decidiu atacar os territórios muçulmanos, vindo a conseguir uma importante vitória com a tomada do castelo de Aurelia (Oreja) em outubro de 1139, iniciativa que viria a ser aproveitada também pelos portugueses.
Mas a grande invasão dos Almóadas, a última tentativa muçulmana de expulsão dos cristãos, foi iniciada pelo califa Abu Ya'qub Yusuf, al-Sahid (1163-1184) e retomada pelo seu sucessor Abu Ya'qub Yusuf II, al-Mansur (Almançor) (1184-1199).
O futuro rei D. Sancho I comandava os exércitos portugueses em 1178 quando estes atacaram a Andaluzia e as imediações de Isbiliya (Sevilha). Um raid aparentemente inconsequente provocou uma forte reação por parte dos muçulmanos, que resolveram contra-atacar. Em 1184 dirigiram-se para a linha do Tejo, cercando Santarém.
D. Fernando II de Leão todavia mudou de estratégia e foi em auxílio dos portugueses, forçando os Almóadas a recuarem para o Alentejo. A fronteira estava nesta altura a sul do rio Tejo, onde permaneceu cerca de 50 anos.
Por volta de 1189 deu-se um novo ataque dos portugueses, desta feita apoiados por uma frota da terceira Cruzada, que fizera escala em Lisboa. A cidade de Silves (Silb) e os seus arredores foram conquistados após um conflito armado.
Em resultado desta derrota os muçulmanos, comandados pelo califa Almançor, prepararam a sua vingança, que constou da reconquista de Silb, que não conseguiu resistir a um demorado cerco (1190-1191), e rumaram para norte. Passaram, assim, o rio Tejo e atacaram a Estremadura, chegando até Torres Novas (1190). Após as duas campanhas de 1184 e 1190, os muçulmanos recolocaram a fronteira na linha do Tejo, com uma única exceção: a cidade de Évora, que permanecia um reduto cristão entre as conquistas árabes.
A reconquista destes territórios além-Tejo só foi possível anos depois, quando o poderio dos Almóadas estava seriamente abalado. A derrocada final desta dinastia principiou com a derrota dos muçulmanos em Navas de Tolosa em 1212, onde o califa Ibn 'Abd Allah Muhammad, al-Nasir (1199-1213), foi vencido por um exército conjunto de castelhanos, aragoneses, navarros e portugueses. Mas esta derrota, contudo, não arrasou por completo a força e o poder muçulmanos.
No reinado de D. Afonso II (1211-1223), a única grande conquista conseguida frente aos Almóadas foi a tomada de Alcácer do Sal em 1217, possibilitada pela passagem de uma esquadra, por Portugal, da quinta Cruzada. A completa decadência do Império Muçulmano só veio a acontecer nas décadas de 20 e 30 do século XIII, permitindo então uma fase de consecutivas vitórias cristãs.
Os portugueses, agora chefiados por D. Sancho II (1223-1245), ou, com mais frequência, pelas ordens militares de Santiago, Calatrava e do Hospital, estavam agora aptos a conquistar o Alentejo (1226-1238) e uma parte do Algarve (1234-1238). O sucessor de D. Sancho II (1248-1279), o seu irmão D. Afonso III, teve assim o privilégio de terminar a reconquista com a tomada do que restava do Algarve, nomeadamente as localidades de Silves e Faro (1249).
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