alocutário

Em pragmática e análise do discurso, o termo alocutário designa a pessoa a quem o locutor dirige um ato de fala numa situação de comunicação oral. No quadro da teoria polifónica de Oswald Ducrot, o alocutário é a entidade simétrica ao locutor (L), personagem responsável pela enunciação, e distingue-se do ouvinte empírico ou histórico, da mesma forma que o narratário se distingue do leitor autêntico em narratologia.
O alocutário define-se pelo facto de ser explicitamente tido em conta pelo locutor (L) no seu enunciado, o que pode verificar-se pela direção do olhar, por sinais cinésicos, e acima de tudo pelo uso das marcas da segunda pessoa traduzidas pelos pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos (<tu>, <você>, <teu>, <seu>, <esse>, etc.), e pelos morfemas verbais de 2.ª pessoa (<sabes>, <sabeis>/ <soubeste>/ <saberás>, etc.). É importante salientar que o português possui um sistema de formas de tratamento bastante complexo, que não se esgota nas formas pronominais <tu>, <você>, <vós> e <vocês>, e que espelha relações sociais e relações de poder, o que torna mais complexo o estudo desta dimensão da enunciação.
O alocutário é assim o parceiro na interação verbal e é parcialmente determinado pela imagem que o locutor constrói de si próprio; é também o destinatário direto, na medida em que é identificado, e pode ser singular ou plural, nominal ou anónimo, real ou fictício.
Nem sempre o alocutário é o único destinatário pretendido pelo locutor. Por exemplo, no caso de um debate político televisivo em momento de campanha eleitoral, o antagonista político é o alocutário circunstancial, mas o destinatário real é o conjunto dos eleitores.
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