Amor e Melancolia ou a Novíssima Heloísa

Coleção de poesias líricas de Feliciano de Castilho, publicada pela primeira vez em 1828, onde o estilo arcádico coexiste com a tendência para a assunção de posicionamentos românticos, começando pelo manifesto de subjetividade e independência firmado pelo autor no prólogo: "Compus este livro sem cuidar no público. Não pensei nem em modelos, nem em meios de produzir efeito; proibi-me todo o trabalho, porque não forcejava pela glória. Escrevi uma época dos meus sentimentos e ideias; procurei pintar o que encontrei num universo onde ninguém entrou comigo. Aqueles que lerem esta obra, desejar-lhe-ão talvez um comentário; não lho posso fazer. Demais, que importa ao público se eu cobri de hieróglifos um monumento que eu só levantei para mim?". Na "Advertência" à segunda edição, correta e acrescentada, de 1861, Castilho confirma Amor e Melancolia como "uma das [suas] primeiras excursões no campo da revolução literária deste século". O tema predominante é, contudo, a exaltação da vida rústica como ideal de felicidade, num cenário de aurea mediocritas ("Ditoso, Júlia, ditoso,/ quem livre de inquietação/ come os frutos que semeia,/ e dorme no seu torrão", de "Convite para a felicidade").
Como referenciar: Amor e Melancolia ou a Novíssima Heloísa in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-02-22 09:19:23]. Disponível na Internet: