Amotinação dos tripulantes do Potemkin

Célebre levantamento da tripulação do couraçado russo Knyaz Potemkin Tavricheskii durante o processo que levou à revolução russa.

Em 1905, dois acontecimentos marcaram a História russa; por um lado, o "Domingo Sangrento" (22 de janeiro) e a derrota na Guerra Russo-Japonesa. Na sequência dos mesmos os marinheiros da frota russa do mar Negro planearam um motim a ocorrer durante os exercícios da esquadra marcados para o verão. Estes revoltosos, que constituíram uma organização militar própria no seio do Partido Social Democrata oposicionista, esperavam que este motim fosse o primeiro passo para um amplo movimento insurrecional, um ideal não compartilhado pela maioria dos seus condiscípulos políticos. Este facto não os desencorajou.
O plano consistia na tomada de controlo dos couraçados, rumar para Odessa ou para o Cáucaso e, daí, promover a rebelião. Em meados de junho, o Potemkin fez-se ao mar. O plano estava em marcha. No dia 14 registou-se um primeiro levantamento de protesto contra a qualidade da carne servida a bordo. Surpreendentemente, os marinheiros foram confrontados com ameaças de morte por parte dos oficiais e do capitão. Esta reação foi o pretexto para o projetado motim, durante o qual sabe-se que pelo menos sete oficiais foram mortos.

Depois de tomar o controlo do navio, os revolucionários dirigiram-se para Odessa, onde decorriam já algumas manifestações. Os acontecimentos de Odessa haviam-se precipitado na noite de 15 de junho; esta cidade portuária foi incendiada e morreram cerca de 1200 pessoas. No dia 16, os marinheiros desembarcaram, dispararam várias salvas sobre a cidade e, acidentalmente, mataram alguns membros do Partido Social Democrata. Esta ação conduziu a uma reação em grande escala e o navio e sua tripulação passaram a ser encarados como inimigos.

No dia seguinte, o Potemkin deixou o porto sozinho, escassamente apoiado por outras unidades navais; contudo, rapidamente os dirigentes da revolta admitiram a derrota. A tripulação rendeu-se no dia 25 de junho às autoridades romenas em Constanta. Terminava, assim, ingloriamente, esta aventura.

A revolta do Potemkin tornou-se uma lenda mundial, particularmente após 1925, altura em que o cineasta Sergei Eisenstein realizou o filme O Couraçado Potemkin. Este incidente, no entanto, foi um de muitos. No mesmo ano houve alguns grandes levantamentos como os de Krohnstadt Sebastopol, entre outros.

Naquele ano de 1905, ao que parece, revoltas como a do Potemkin não eram bem compreendidas pelos revolucionários dos partidos; de qualquer modo, fica ainda hoje por saber até que ponto estes motins, sem dúvida significativos, foram decisivos para o decurso do movimento revolucionário.

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