Ana Salazar

Estilista portuguesa, nascida a 19 de julho de 1941, em Lisboa, é considerada a pioneira da moda em Portugal.
Na década de 70, revolucionou a forma de apresentar estilos inovadores de roupa, criando, para o efeito, acontecimentos de moda, como desfiles destinados a grandes audiências, exposições e outros eventos. Em 1978, começou a criar coleções com o nome Ana Salazar, destinadas a ser vendidas nas suas próprias lojas, assim como noutros estabelecimentos, tanto em Portugal como no estrangeiro.
A partir de 1980, começou a divulgar novos talentos da moda portuguesa, nomeadamente ao levá-los ao Espaço Anos 80, no Museu do Traje, em Lisboa. Desenhou, entretanto, as fardas para a Air Atlantis, empresa pertença da TAP, e para a CP - Caminhos de Ferro Portugueses.
Em 1985, estendeu o negócio até França, abrindo uma loja em Paris, que é considerada pela revista de moda francesa Marie Claire como um dos novos templos da moda da capital gaulesa. Dois anos depois, representou Portugal no Festival Internacional de Moda em Paris e participou na exposição "La Mode au XXéme Siécle" (A Moda no Século XX), no Museu do Louvre, na mesma cidade, e no Museu do Traje, em Lisboa, que serviu de lançamento para um livro com o mesmo título. Nesse mesmo ano, e no seguinte, apresentou as suas criações em Lisboa, Paris, Milão e Nova Iorque e assinou um contrato com um grupo francês, que passou a fabricar, comercializar e distribuir as suas coleções a nível internacional.
Em 1989, lançou, com o nome Ana Salazar, um perfume feminino e a linha Maison. Só sete anos mais tarde é que lançou um novo perfume, desta vez, para homem.
Ainda em 1990, deu mais um passo para a internacionalização dos seus produtos ao licenciar a um grupo estrangeiro uma linha de óculos. Pelo meio, teve tempo para fazer os figurinos da peça Casa de Bonecas, que passou no Teatro da Politécnica, em Lisboa. A sua ligação ao teatro prosseguiu, em 1992, com a peça Dinis e Isabel, e colaborou também no bailado Sereias e Lolobrígidas.
O ano de 1991 ficou marcado pelo projeto Moda Cerâmica, uma coleção de azulejos para pavimentos e revestimentos desenhada por Ana Salazar, e pela elaboração dos uniformes para o pavilhão português da Exposição Universal de Sevilha, que teve lugar em 1992.
Ana Salazar sentia cada vez mais necessidade de estender a sua veia artística a outra áreas e, em 1993, levou uma escultura de sua autoria à exposição Variations Gitanes (Variações Gitanes), da marca francesa de tabaco Gitanes, que teve lugar no Museu do Louvre.
No ano seguinte, de novo no âmbito da moda, voltou a inovar ao criar um espaço onde, após atendimento personalizado aos clientes, são criadas peças de vestuário especiais.
Em 1995, a convite das coleções Philae, criou uma coleção para os cristais Atlantis.
A partir de 1997, começou a colecionar prémios e distinções pela sua carreira, tendo, nesse ano, sido ordenada pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, como Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Em 1998, a Elite Model Look atribuiu a Ana Salazar o Prémio de Carreira, e, no ano seguinte, a revista Nova Gente distinguiu-a como a melhor criadora de moda do ano. Recebeu ainda o prémio prestígio da Associação Moda Lisboa, tudo no mesmo ano em que lançou a eau de toilette Ana Salazar e em que participou na exposição Mode Portugaise, La Révélation (Moda Portuguesa, A Revelação), que teve lugar em Paris.
Já no ano 2000, aproveitou o cenário da Torre Vasco da Gama, no Parque das Nações, palco do Moda Lisboa, para apresentar a sua primeira coleção destinada a homens.
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