análise bioenergética

Esta análise iniciou-se nos Estados Unidos e, posteriormente, na Europa, Canadá e América do Sul. É um modelo terapêutico relativamente recente e nasceu como resultado de dissidências dentro do próprio modelo psicanalítico.
A teoria existente nesta análise baseia-se no facto de que qualquer que seja o problema, de personalidade ou não, este manifesta-se no corpo. Pode-se "ler" estes problemas através da forma e mobilidade da linguagem corporal. É possível aceder à história da vida de uma pessoa através da estrutura dinâmica do seu corpo. Estudando o corpo, as atitudes, a expressão e a voz, dá-nos indicações acerca da personalidade do sujeito.
Teoricamente, cada experiência na vida de um sujeito é gravada no seu corpo, como também o é na sua mente. A um nível mais profundo, o corpo e a mente são somente um. Não podem ser separados e por isso a experiência vai afetar obrigatoriamente os dois.
É na formulação desta relação entre corpo e mente que se baseia a bioenergética. Foi proposta por William Reich e é expressa como a identidade funcional, sendo a antítese dos processos psíquicos e somáticos.
Há um aspeto adicional na análise bioenergética que é o conceito de energético. Reich acreditava na existência de uma energia especial envolvida no processo "humano". Existe uma energia biológica para todas as funções orgânicas que ajuda a compreender o carácter e a personalidade (a quantidade de energia que a pessoa possui e como a despende).
Quando, através da terapia, uma pessoa é ajudada a respirar mais profundamente, a sua energia aumenta, produz mais energia e movimento, que vai levar a sensações, pensamentos e ações. São estes elementos que compõem o material da análise.
A sequência é energia-movimento-sensação-pensamentos e imagens.
A mobilização inicial do corpo através da respiração profunda e de exercícios bioenergéticos por vezes evoca sensações que estavam há muito tempo reprimidas. A pessoa pode sentir tristeza, pode experienciar medo, etc.
Como Reich salienta, a pessoa não experiencia o seu próprio carácter como algo estranho ao seu ego. Reich define carácter como um mecanismo de defesa identificado com o eu, operando como resistência na relação. Qualquer que seja a estrutura do carácter, este constitui um padrão fixo de comportamento e leva à rigidez de personalidade.
A estrutura de carácter mantém a pessoa dentro dos limites comportamentais que asseguram a sua sobrevivência. Da mesma forma, limita a possibilidade de realização e satisfação do indivíduo. Esta estrutura serve igualmente para definir a identidade e a integridade, mas é uma proteção e uma defesa muito poderosa.
Não é esperado que o paciente mude o seu carácter, mas que o compreenda em termos de: como se desenvolve, o papel que desempenha na sua vida pessoal, os conflitos e os medos que estão escondidos.
O processo terapêutico inicia quando o sujeito toma consciência de que utiliza defesas para se proteger. Parte-se do princípio que o sujeito tem dificuldade em exprimir as suas emoções, o que terá a sua contrapartida a nível corporal. Por detrás de uma tensão há sempre um conflito relacionado com a dificuldade de expressar emoções.
Em termos terapêuticos, se se trabalhar com as tensões musculares crónicas, passado algum tempo o sujeito começa a tomar contacto com essas emoções "sufocadas". Por um lado, trabalha-se ao nível corporal, por outro, trabalha-se ao nível da análise do indivíduo, abrindo portas para a compreensão de outras coisas.
As reações inibitórias da infância não fazem sentido na idade adulta, mas mantêm-se devido à estrutura da pessoa. Procura-se a integração de emoções e sentimentos na vida de pessoa, o que vai depender da expansão e vitalidade do corpo. Não devemos considerar uma mudança de personalidade consumada enquanto não se manifestarem alterações a nível corporal.
Os objetivos são: melhor respiração, grounding e maior expressão de emoções.
Enquanto estiver identificado com o seu carácter, o paciente não pode mudar. Tem de se observar objetivamente e perceber que o que ali está de errado é algo que foi assimilado por restrições exteriores e não é uma parte real do seu real self.
Como referenciar: análise bioenergética in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2021. [consult. 2021-05-15 16:04:13]. Disponível na Internet: