analogia

Relação semântica de semelhança estabelecida pelo poeta ou narrador entre objetos diferentes, através do uso, por exemplo, da metáfora ou da comparação. No processo de construção metafórico ou comparativo, entre outros, pelo qual um objeto A é considerado como idêntico, equivalente ou análogo a um objeto B, o autor parte da ideia de interseção de determinadas propriedades de A com determinadas propriedades com B, nascendo o recurso estilístico da união de um grupo de características comuns. Não sendo um processo mental característico da poesia trovadoresca galego-portuguesa, no Cancioneiro Geral já é mais frequentemente utilizado. Assim, por exemplo, Álvaro de Brito estabelece, numa composição poética, uma analogia entre o estado amoroso e o navegar com tormenta, decorrendo a analogia, neste caso, dos traços comuns entre as duas situações: a insegurança, o desgoverno do barco e o desgoverno da vida, o perigo de morte no mar e o perigo de morte de amor, etc.:
"Assi mal afortunado nas refegas destes mares, de cuidados carregado, contino desatinado, guarnecido de pesares, com afrontas nom achando onde me possa ancorar, contrairos tempos pairando, sem governo governando todo o meu desgovernar (...)"
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