Anaxímenes

Oriundo de Mileto, cidade grega da Ásia Menor, na linha dos seus predecessores Tales e Anaximandro, foi também um filósofo naturalista preocupado com a explicação da physis - a natureza. Não se dispondo de dados precisos acerca da sua biografia, sabemos apenas que viveu durante o século VI a. C. e, tal como acontece com os restantes filósofos desta época remota, apesar de lhe ser atribuída a autoria de um livro, só indiretamente temos conhecimento do seu pensamento.
De acordo com Aristóteles, teria defendido que o aer - ar ou bruma - seria o elemento primordial - arkê. Através de um processo de condensação produziria substâncias mais densas e frias - a água, a terra e a pedra - e por rarefação transformar-se-ia em substâncias quentes - o vento, a nuvem e o fogo. Desta forma, reduzia a determinações quantitativas toda a diversidade qualitativa dos fenómenos. No que se refere às propriedades do aer, atribuía-lhe carácter divino, a infinidade e o movimento perpétuo, considerando-o o princípio e o fim de todas as coisas.
No que respeita à cosmologia, propôs que os corpos celestes, de configuração plana, estariam suspensos no ar, de forma análoga à da folha que flutua no vento, e teriam como origem a rarefação em fogo do vapor exalado pela Terra. Assim como os restantes astros, também esta, com aspeto idêntico ao do tampo de uma mesa, paira sobre o ar. Os astros efetuam as suas revoluções movidos pelo vento e não passam por debaixo da Terra, mas giram em torno dela, ocultando-se devido às altas montanhas do norte.
Anaxímenes, o último dos filósofos milésios, embora não tenha tido um pensamento tão original quanto o de Anaximandro - e não tenha representado um progresso notável relativamente a este -, marca a consolidação de uma abordagem do real completamente distinta da tradição mítico-poética e constituiu uma referência importante para os seus sucessores.
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