andrógino

O ser andrógino é representado com um ser que tem os dois sexos prestes a dividir-se ou a definir-se em macho ou fêmea. Na tradição tântrica e hindu, Shiva, um ser andrógino, é muitas vezes representado abraçado a Shakti, a sua própria potência e essência feminina eleita a divindade. Na Antiguidade, encontram-se rastos de androginia em Adónis, Castor e Polux, e em muitas outras divindades que em geral têm uma natureza bissexual, reproduzindo-se a partir de si mesmas, dado que encerram em si as naturezas feminina e masculina. O ser andrógino é sinónimo de totalidade, tanto no princípio como no fim dos tempos, reunindo em si a plenitude, roubada pela divisão dos sexos que a união do casamento volta a reunir. Embora tenha em sentido comum uma expressão sexual, ou de negação de definição sexual, quando aplicada ao homem, o princípio da androginia é, em muitas tradições religiosas, uma espécie de fim a atingir ou uma idade de ouro a reconquistar. No ioga um dos seus objetivos, atingir a reintegração ou reunião final das duas polaridades do ser humano. Na tradição do sufismo, o mundo de aparência e de pecado desvia a atenção da verdadeira realidade divina, que é a unidade elementar e ancestral. Existem tradições em que de um ser andrógino, uma espécie de Adão inicial, nasceram o homem e a mulher. Esse ser andrógino é muitas vezes associado à vaca leiteira, que é ao mesmo tempo o touro que dá a semente, entre os hindus. Mas a tradição também defende que uma vez separados da sua unidade inicial, homem e mulher devem cultivar as suas diferenças na Terra, embora na sua essência, tanto em termos físicos como espirituais, cada ser humano tenha em si e ao mesmo tempo as duas polaridades feminina e masculina. Por essa razão, são comuns em várias tradições os rituais de circuncisão e excisão a fim de as crianças de ambos os sexos, assumirem o mais rápido possível o seu sexo aparente e eliminarem qualquer sinal do sexo oposto em si próprios. Algumas tradições sugerem a existência de um ser andrógino inicial com duas cabeças que foi dividido por Deus e, o próprio mito cristão da costela de Adão tornada mulher sugere que o primeiro ser teria em si a essência una, que reunia os dois sexos. O Novo Testamento refere o retorno a esse ser humano indiferenciado, criado à imagem de Deus, uno e completo.
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