Andrzej Wajda

Realizador polaco, Andrzej Wajda nasceu no dia 6 de março de 1926, em Suwalki. Aos 14 anos, pouco após a ocupação da Polónia pelas tropas nazis, juntou-se à Resistência. Findo o conflito, partiu para Lodz para estudar pintura e, em 1946, matriculou-se numa Escola de Cinema na mesma cidade. Durante três anos, foi assistente de realização do veterano Aleksander Ford, até que se aventurou ele próprio na direção de filmes, estreando-se com Zly Chlopiec (1950). O filme passou despercebido, mas os críticos polacos concluíram que Wajda se iria afirmar brevemente. Em Pokolenie (1955), passou para a fita as suas memórias na Resistência polaca. Mas o filme que abriu a Wajda as portas para a divulgação internacional foi Kanal (Canal, 1957), em que abordou as últimas horas da revolta de Varsóvia, ocorrida em 1944, e os conflitos internos no seio da Resistência. A corajosa abordagem do realizador, que pretendeu criar um clima de desmistificação da guerra, fazendo uma crítica anacrónica ao regime estalinista, surpreendeu positivamente o público do Festival de Cannes, tendo vencido o Prémio Especial do Júri. Contudo, o sucesso do filme incomodou a Polónia comunista, tornando Wajda persona non grata aos olhos das altas esferas do poder. Tal clivagem acentuou-se com a fita seguinte do diretor: Popiól i Diament (Cinzas e Diamantes, 1958), onde Wajda projetou no seu alter-ego (o ator Zbigniew Cybulski) a imagem de jovem revoltado, militar do exército que assiste à libertação da Polónia das garras nazis, para ser envolvido numa luta interna entre os novos comandantes comunistas e os oficiais da velha guarda. Wajda continuou a condenar a guerra em filmes como Lotna (1959) e Krajobraz po Bitwie (1970). Depois de realizar uma série de filmes para televisão e de ter feito um curto estágio na Universidade de Yale, em 1974, Wajda filmou um drama histórico: Ziemia Obiecana (Terra Prometida, 1974), baseado na obra de Wladyslaw Reymont, procurando com este filme fazer uma alegoria ao capitalismo, filmando a evolução urbana de Lodz. O filme foi galardoado com o prémio máximo do Festival de Moscovo. Wajda enveredou, então, por um projeto pessoal: um filme sobre um trabalhador nos anos 50 do século passado e que foi uma crítica acérrima ao aparelho de propaganda de Estaline. O filme, apesar de aclamado nos galarins internacionais, foi muito mal recebido no seu país natal. Refugiou-se em França, e foi graças a fundos franceses que Wajda pôde continuar a filmar: Panny z Wilka (1979), Dyrygent (1979), onde dirigiu John Gielgud e Czlowiek z Zelaza (O Homem de Ferro, 1981) com o qual venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes. Depois de ter realizado Danton (1982), onde Gérard Depardieu encarnou o herói da Revolução Francesa, Wajda regressou à Polónia para filmar uma história de amor entre adolescentes: Kronika Wypadków Milosnych (1986). Como corolário da sua carreira, Wajda foi galardoado com um Óscar Honorário em 2000.
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