anel

Símbolo da união fiel por livre vontade entre homem e mulher e da troca de votos simbolizada pela troca dos anéis, o anel nupcial era antigamente usado pelos monges cristãos e pelas freiras como símbolo da sua ligação e compromisso, respetivamente, com a Virgem Maria e Jesus Cristo. Existiam na tradição cristã histórias de cavaleiros que assumiam o anel ao entrarem nos mosteiros, da mesma forma que nos tempos pagãos, os jovens honravam o compromisso com Vénus usando um anel. Terão sido eventualmente os egípcios a terem a iniciativa de colocar o anel no quarto dedo da mão esquerda, a partir do polegar. Os egípcios acreditavam que este dedo estava ligado ao coração através de uma veia que estabelecia uma corrente de amor. O anel era a forma de essa corrente de amor não escapar nunca dos seres que o usavam. Entre os hebreus, o anel era usado no dedo indicador da mão direita, talvez porque a sua tradição considerava esse dedo mágico e poderoso, capaz de fazer o bem e o mal. Na tradição dos hebreus é referido um anel mágico usado pelo rei Salomão para dominar o demónio e fazê-lo trabalhar na construção do seu templo. Dizia-se que o demónio se tinha apoderado do anel, fazendo-se passar pelo rei, de o tornar num mendigo até ao fim dos seus dias. Os primeiros cristãos usavam anéis em que eram representados um peixe, uma âncora ou uma pomba. O anel do Pescador, que serve de selo pontifício, é quebrado quando um papa morre, pois é sinónimo do seu vínculo com o cargo que ocupa. Entre os anéis célebres da mitologia estão o anel de ferro que Prometeu passou a usar depois da sua libertação por Hércules, com símbolo da sua submissão a Zeus, e o anel do rei Polícrates, que tendo sempre tanta sorte decidiu ser ele a quebrar o destino antes que algo de pior lhe acontecesse: deitou um seu anel ao mar que, depois de comido por um peixe, lhe voltou às mãos como oferenda de um pescador, simbolizando assim o destino. Platão referiu-se ao anel de Giges, que o tornava invisível e que tinha sido responsável pela sua imensa fortuna. Na mitologia germânica, o anel dos Nibelungos era o símbolo do poder que lhe fora retirado por Wotan. Acreditava-se que a associação de três anéis invocava o destino e na tradição popular dos contos de fadas estava ligada aos feitiços mágicos. Os três anéis simbolizariam o amor, poder e sabedoria. Na Inglaterra, a passagem de três bocados de pão por um anel era suposto fazer as jovens ter a visão do futuro marido.

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