anestesia

A anestesia pode ser definida como uma interrupção da comunicação ao nível das vias nervosas responsáveis pela condução da sensação de dor. Esta interrupção, embora possa ocorrer devido a uma doença ou lesão, é induzida artificialmente pela administração de produtos químicos (por exemplo, morfina e éter), sendo um processo de extrema utilidade no campo da medicina, particularmente na cirurgia.
A anestesia pode ser total, através da provocação artificial do sono, ou local (usada pela primeira vez por C. L. Schlich), abolindo a sensação de dor apenas numa zona específica e determinada do corpo. Uma forma de anestesia local mais abrangente é a anestesia troncular, em que uma área do organismo é anestesiada por injeção de um anestésico no tronco nervoso que a inerva (por exemplo, anestesia sagrada).
A administração da anestesia pode ser feita por diversas formas: aspiração (inalação de líquidos sob a forma de vapor - por exemplo, o éter - ou de gases - por exemplo, o óxido nítrico), via endovenosa (por exemplo, injeção de narcóticos) ou por intubação. O termo anestesia surge definido, pela primeira vez, em 1751 no Bailey´s English Dictionary, como uma diminuição da sensação. Em 1800, Sir Humphry Davy (1778- 1829), no seu livro Researches, Chemical and Philosophical: chiefly concerning nitrous oxide, descreve pela primeira vez as propriedades anestésicas do óxido nitroso (gás hilariante), descoberto por Joseph Priestley em 1772, e que até aí era usado apenas por saltimbancos, como meio de diversão, devido às sensações de euforia que produzia. Em 1818, o físico Michael Faraday descreve também as propriedades analgésicas do éter, sintetizado já em 1540 por Valerius Cordus, sendo a sua primeira utilização cirúrgica realizada por Crawford Williamson Long (1815- 1878), em 30 de março de 1842, o qual anestesiou um paciente com éter, antes de proceder à remoção de um tumor no pescoço. No entanto, a primeira demonstração pública do uso anestésico do éter foi realizada por William Morton (1819- 1868) no Massachusetts General Hospital (Boston).
Em 1831, três investigadores, trabalhando de modo independente, descobrem o clorofórmio: Gunthrie, nos EUA, Soubeirian (França) e Von Liebig (Alemanha). No entanto, as propriedades anestésicas do clorofórmio serão descobertas, mais tarde, por Marie Flourens, em 1847, sendo introduzido na prática clínica, no mesmo ano, por James Simpson. Este mesmo tipo de anestesia foi aplicado por John Snow, em Inglaterra, à Rainha Vitória, em 7 de abril de 1853, aquando do nascimento do seu oitavo filho, o príncipe Leopold, passando a ser conhecida por "Clorofórmio a la Reine". Este último cientista foi ainda o responsável pela criação de vários tipos de inaladores para administração de anestésicos.
As técnicas de anestesia por intubação foram desenvolvidas, inicialmente, por W. Macewen (1880) - intubação orotraqueal e por Sir Ivan W. Maggil (1888- 1986) - intubação endotraqueal.
Já perto do final do Séc. XIX, em 1898, August Bier, introduz a anestesia espinal, dando início às técnicas de anestesia troncular. Em 1893, em Inglaterra, é fundada a London Society of Anaesthetists.
Durante o século XX, as práticas de anestesia sofreram uma enorme evolução, não apenas devido aos avanços no campo da fisiologia, permitindo o cálculo exato das quantidades de anestésicos a ministrar, diminuindo assim efeitos secundários indesejados, mas, também, graças aos progressos no campo da química, nomeadamente, no isolamento e purificação de diversos componentes ativos, desenvolvendo-se uma enorme variedade de anestésicos e analgésicos, com uma metodologia de administração, em alguns casos, muito facilitada, limitando-se, por exemplo, à ingestão de um comprimido para anular uma forte dor de dentes, algo impossível de combater até há (menos de) 200 anos.
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