Anfitrião ou Júpiter e Alcmena

Esta ópera, representada em 1736, baseia-se num tema originário de Plauto, tema esse explorado ao longo dos tempos por inúmeros escritores. O Judeu, António José da Silva, não copiou na totalidade a comédia do dramaturgo latino, mas alterou-a, acrescentando-lhe algumas personagens (Juno, Íris e Tirésias) e alguns elementos secundários e reelaborando a intriga original.
A estrutura da peça é idêntica às outras do escritor, ou seja, o enredo, cortado por cenas espetaculares e maravilhosas, é dialogado em prosa e tem alguns momentos poéticos cantados e recitados como na ópera buffa italiana. Por outro lado, a caracterização das personagens é à espanhola. Não obstante a crítica ao Barroco, é nele que A. J. da Silva encontra o estilo e certos temas presentes na peça.
Na intriga de Anfitrião, o deus Júpiter, toma o aspeto de Anfitrião, que se encontra ausente, com o intuito de se aproximar da sua esposa Alcmena. Mercúrio, o inventor do disfarce, também se faz passar por Saramago, o criado de Anfitrião, para ajudar Júpiter a introduzir-se em casa do casal enganado. Entretanto, Anfitrião regressa vitorioso do combate e o deus apodera-se do seu triunfo e entra para o Senado. Quando o verdadeiro Anfitrião chega a casa é preso com a sua bela esposa por Tirésias e são condenados à morte. Esta desgraça fora preparada por Juno, que penetrara igualmente em casa do casal disfarçada de Flérida. Contudo, o deus Júpiter faz com que os enganados escapem à morte porque sabe que estão inocentes e além disso deixara em Alcmena um descendente, Hércules.

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