Animação Sociocultural

A Animação Sociocultural (AS), também designada Animação Comunitária, emerge historicamente a partir da conjugação de vários fatores: o aumento do tempo livre e a preocupação com o preenchimento criativo do lazer e do ócio; a necessidade de educação e de formação permanente ao longo da vida, numa sociedade crescentemente baseada no domínio do conhecimento e da inovação técnica; o aumento do fosso cultural entre as classes sociais como consequência das diferentes condições de acesso aos bens culturais; o surgimento das indústrias culturais, através de um processo de fabrico, reprodução, difusão e venda em grande escala de bens e serviços.
A AS não é, assim, uma ciência autónoma mas antes uma "tecnologia social", uma estratégia de educação não formal dotada de um conjunto de fundamentos teóricos e de métodos e técnicas importados das Ciências Sociais (como a Sociologia, a Antropologia, a Psicologia, a Economia e outras) aplicados a objetivos práticos da realidade social.
Segundo Ezequiel Ander-Egg, a AS "é uma forma de ação sociopedagógica que [...] se caracteriza basicamente pela busca e intencionalidade de gerar processos de participação das pessoas" (1990, Metodología y practica de la animación socio-cultural, 10.a ed. Humanitas). O papel do animador sociocultural consiste, pois, em desenvolver estratégias de mobilização (ou animação) dos atores sociais para uma participação autónoma, voluntária, criativa e corresponsável - recusando, portanto, todas as formas de manipulação, paternalismo ou autoritarismo -, desempenhando uma função de mediação entre os atores (saberes, necessidades e expectativas) e entre estes e o meio (recursos e instituições), tendo como finalidade o desenvolvimento sociocultural da comunidade.
Como referenciar: Animação Sociocultural in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-11-27 11:53:46]. Disponível na Internet: