anorexia

A anorexia nervosa também conhecida como anorexia mental, está classificada como uma perturbação do comportamento alimentar.
Constituída essencialmente por uma excessiva perda de peso, a anorexia aparece predominantemente em indivíduos do sexo feminino, sobretudo em adolescentes e jovens.
O diagnóstico, que nem sempre é feito com a precocidade devida, fundamenta-se na acentuada perda de peso, na idade da adolescência, na presença de amenorreia (ausência de pelo menos três ciclos menstruais consecutivos provocada por alterações hormonais basicamente devida à desnutrição), na presença de anemia e de vómitos frequentes, bem como na ausência de qualquer outra doença física ou psíquica capaz de explicar o emagrecimento. O medo de engordar faz com que os doentes adotem um comportamento destinado a baixar o peso, reduzindo drasticamente a quantidade de alimentos, sobretudo no que diz respeito a hidratos de carbono (bolos, açúcar, pão) e a gorduras. Alguns doentes com anorexia nervosa recorrem ainda ao exercício físico intenso, aos vómitos autoprovocados e ao uso de laxantes e diuréticos. Quando a doença atinge o seu pleno desenvolvimento o doente já perdeu muito peso.
Os doentes anoréxicos distorcem a sua imagem corporal porque têm tendência a considerar-se mais gordos do que na realidade são, mesmo estando francamente emagrecidos.
A atividade física, intelectual, escolar e social não sofre, em regra, grande alteração ao longo da doença. Estes doentes são normalmente bons estudantes, mantendo ou acentuando o interesse pelos estudos.
Do ponto de vista somático (relativo ao corpo), também é habitual encontrar nas pessoas anoréxicas uma significativa queda de cabelo, hipotensão (tensão arterial baixa), hipotermia (diminuição da temperatura normal do corpo) e prisão de ventre muito acentuada.
Do ponto de vista psicológico, os doentes anoréxicos apresentam, na sua grande maioria, uma personalidade rígida e obsessiva, pelo que o medo de aumentarem de peso e de tornarem-se pessoas obesas se transforma numa autêntica obsessão, ou então apresentam uma personalidade depressiva.
As principais causas psicológicas apontadas são de ordem afetiva, especialmente na infância. Por exemplo, uma deceção sentimental ou problemas familiares podem provocar o aparecimento desta doença.
A anorexia é um sintoma comum nos distúrbios mentais (distúrbio comportamental, funcional ou orgânico, suficientemente grave e que necessite de ajuda de profissionais). Assim, a constatação do seu típico conjunto de sintomas, torna-se imprescindível para estabelecer um diagnóstico preciso que a distinga de outras doenças psiquiátricas, que apresentam como uma das suas características a diminuição do apetite e consequente perda de peso.
O tratamento da anorexia nervosa é essencialmente psicoterapêutico e o internamento hospitalar só se justifica quando o estado de desnutrição ameaça a vida, quando não é possível obter ajuda da família ou quando a paciente não apresenta progressos em consulta.
O tratamento psicoterapêutico só pode ter continuação se o peso da paciente não se encontrar em limites perigosos que agravem o seu estado geral de saúde.
Existe um caso especial de anorexia: a anorexia matinal. Esta é usual nas crianças que frequentam o ensino primário e que de manhã não querem comer. As razões são várias, mas normalmente incidem sempre no facto de não quererem ir para a escola. Por exemplo, quando a criança é alvo de troça dos colegas, tende a evitar o espaço que os mesmos frequentam.
Em resumo, as doentes com anorexia nervosa não têm falta de apetite, muitas vezes sentem até fome, mas recusam-se a comer devido ao terror de engordar.
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