Anticristo

Poema de Gomes Leal, em parte anteriormente publicado na revista portuense Museu Ilustrado, em 1886, e dedicado a Eduardo Hartmann, "o sublime autor da Filosofia do Inconsciente". Retomando a isotopia romântica da poeta como génio, ser inadaptado, que decorre da ideia da decadência da sociedade e da nação, Gomes Leal põe em cena o Anticristo e várias figuras da história cristã, como Jesus, Madalena, Barrabás, Ezequiel, etc. No final, a morte do Padre Eterno, o suicídio da Virgem Maria e as blasfémias dos santos e dos mártires espelham a crise religiosa do poeta. As duas versões, de 1886 e 1907, apresentam, no entanto, grandes diferenças: a primeira exalta a revolta da ciência contra o sobrenatural; a segunda, acrescentada de "Teses selvagens", anuncia a conversão do autor ao catolicismo, que se concretizará em 1910.
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