Antiga Igreja Matriz da Lourinhã

Dedicada a Santa Maria e erguida sobre o anterior templo românico intramuros da Lourinhã, a antiga Igreja Matriz desta vila da Estremadura é um templo gótico do século XIV, mandado construir pelo arcebispo de Braga e natural da Lourinhã, D. Lourenço Vicente.
Após 1834, o teto da antiga Matriz foi desmontado e vendido, entrando em processo de ruína, apenas sustido pela intervenção em 1938 da Direção-Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais (D.G.E.M.N.). Este bonito templo gótico trecentista situa-se num plano elevado e estava dentro das muralhas do desaparecido castelo da Lourinhã. O seu interior foi despojado das obras e arte que o decoravam, restando apenas as suas soberbas estruturas de arquitetura gótica.
De planta retangular, a fachada de Santa Maria é marcada por um pano retangular destacado, onde se desenvolve o belo portal de cinco arcos ogivais. Estes assentam em pares de colunelos sobre embasamento, com elegantes capitéis lavrados de motivos antropomórficos, fitomórficos e zoomórficos. No eixo da nave central, mais elevada e rematada por empena triangular, abre-se a radiante rosácea de rendilhado gótico. No flanco sul abre-se um portal ogival de três arcos com finos colunelos capitelizados, enquadrado por um gablete em flecha. No flanco contrário está uma pequena porta em arco quebrado. Ao longo das cimalhas do templo corre uma cachorrada simples. A cabeceira é constituída por uma só capela, reforçada por seis poderosos contrafortes, entre os quais se rasgam três geminadas janelas ogivais com óculo superior. No século XVII foi erguida uma torre sineira no topo da fachada lateral sul.
O interior é simples e de grande elegância. O corpo é dividido em três naves, a axial de maior altura e largura, composta por quatro tramos que são marcados por arcos quebrados, repousando sobre colunas com elegantes capitéis de cariz vegetalista. Próximo da entrada principal da igreja está uma gótica pia batismal com baixo-relevos esculpidos.
A capela-mor é coberta por uma harmoniosa abóbada de cruzarias ogivais, com os fechos ostentando símbolos armoriados, notando-se numa das paredes um nicho de forma quadrangular com moldura cordiforme manuelina.
A antiga Igreja Matriz da Lourinhã foi classificada em 1922 como Monumento Nacional (M.N.).
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