António Alçada Baptista

Nascido na Covilhã, estudou num colégio de Jesuítas em Santo Tirso. Licenciado em Direito, dirigiu a revista O Tempo e o Modo (de 1963 até 1969) e foi presidente do Instituto Português do Livro. Traduziu Jorge Luis Borges e Jacques Maritain, tendo colaborado em vários periódicos (A Capital e O Semanário, por exemplo) com uma publicação regular de crónicas, algumas das quais já reunidas em obras como O Tempo nas Palavras.
Oficial da Ordem de Santiago, recebeu, das mãos de Ramalho Eanes, a Ordem Militar de Cristo, em 1983, e a Grã-Cruz da Ordem do Infante entregue por Mário Soares, em 1995.
A sua obra literária, repartida entre a ficção e o ensaio de memórias pessoais e coletivas (com destaque para os dois volumes de Peregrinação Interior), funda-se num princípio unificador: o da busca de uma unidade interior que seja a razão para que, na sociedade contemporânea portuguesa, "certas coisas aconteçam sem que eu saiba como nem porquê e sem me darem em troca nada de melhor" (cf. Peregrinação Interior I, p. 23). Entre a ficção e o ensaio, a escrita de António Alçada Batista perturba pela capacidade de "perder um certo pudor" (ibi., p. 24), de perder o espartilho vitoriano que corrige a libertação interior, que abafa as vozes dos afetos, e de exprimir a reflexão cultural, filosófica, religiosa e social "com as gastas e cansadas palavras que dão a cobertura habitual à banalidade imensa que é o bocado de existência que vai passando pela nossa janela", despidas da "plumagem académica, dos lugares-comuns que são a medida comum do intercâmbio dos homens" (ibi., p. 27). Leve, profundo e generoso, "o que faz é contar-se" (cf. ANSELMO, Artur - prefácio a Peregrinação Interior II), reconstituir o memorial dos combates consigo e com a História, combate imbuído de uma "relação profunda com o Sagrado", num autor que recusa frontalmente a perspetiva materialista na evolução socioeconómica e que "não põe em causa a sua natureza de homem religioso" (id. ibi.): "Comecei por escrever romances mas tive consciência de que estava a fazer ainda uma grande concessão à cobardia, porque queria que Madame Bovary dissesse como se se passasse com ela aquilo que eu não tinha coragem de dizer que se estava passando comigo. / Creio que a minha expressão literária terá que começar assim, por um memorial interior, onde o que me ensinaram a chamar Deus polarizou efetivamente os meus grandes problemas e as minhas grandes motivações" (Peregrinação Interior I, p. 28).
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