António Faria

Corsário dos mares ocidentais, António Faria surge na narrativa da Peregrinação como um herói pícaro, reverso do herói português das Descobertas, epicamente enaltecido, por exemplo, nos Lusíadas. Aquilino Ribeiro (cf. Portugueses das Sete Partidas, Lisboa, s/d), comparando as semelhanças entre o trajeto biográfico da personagem e do narrador, defende que António Faria funciona como um pseudónimo de Mendes Pinto, que, sob a capa desse alter-ego, narra as atrocidades que não ousaria confessar na primeira pessoa. Com efeito, Faria e o seu bando, movidos pela cobiça, afundam barcos indefesos, incendeiam povoações, roubam mulheres e crianças, saqueiam templos; desenterram esqueletos para se apoderarem de tesouros que com eles eram sepultados; chegam a invocar Deus e a Virgem para os ajudar nos seus atos de pirataria e para os socorrer nas horas de aflição. O seu percurso de aventura é marcado pela perseguição ao Coja Acém, que termina na batalha mais violenta de toda a Peregrinação, e pela busca da ilha de Calemplui, onde se encontrariam os tesouros reais da China. No capítulo LXXIX, António Faria acaba por desaparecer, enigmaticamente, por ação das forças naturais.
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