António Feliciano de Castilho

Escritor português, nasceu a 28 de janeiro de 1800, em Lisboa, e morreu a 18 de novembro de 1875. Foi precoce no seu talento poético e parte do seu êxito deve-o ao irmão. Escreveu o seu primeiro poema aos 16 anos e pertenceu cronologicamente à geração de Almeida Garrett e Alexandre Herculano.
Formado nos modelos neoclássicos e arcádicos, combinados desde a juventude com o pré-romântico Gessner e posteriormente com o romântico Lammenais, Castilho só circunstancialmente aderiu ao Romantismo, permanecendo um clássico, ou, nas palavras de Teófilo Braga, um "árcade póstumo". Filho de um lente de Coimbra e cego aos seis anos, conseguiu, mercê de uma memória prodigiosa, receber a educação clássica que lhe foi ministrada e ensaiar as primeiras composições poéticas ainda durante a infância. Em 1821, conclui o curso de Direito Canónico na Universidade de Coimbra. Datam dessa altura as suas primeiras aventuras literárias, expressas na fundação da "Sociedade dos Poetas Amigos da primavera" e na publicação das primeiras obras: Cartas de Eco e Narciso e A primavera. Terminado o curso, instalou-se em casa de um irmão padre em Castanheira do Vouga, ao pé da serra do Caramulo, dedicando-se à poesia (composições que darão origem, em 1828, ao volume Amor e Melancolia) e à tradução de poetas latinos. Finalmente, em Lisboa, criou em 1835 a Sociedade dos Amigos das Letras. Em 1836, numa adesão temporária aos modelos românticos, publicou os poemas A Noite do Castelo e os Ciúmes do Bardo, exemplos de um romantismo noturno e medievalizante, que terão repercussão sobre o gosto dos nossos poetas. No mesmo ano, traduziu as Palavras de um Crente, de Lammenais. Em 1841, fundou a Revista Universal Lisbonense, um dos periódicos mais influentes do Romantismo português, cuja direção viria a abandonar em 1845. Dos muitos artigos e recensões que Castilho deixará dispersos pela Revista, o Jornal da Sociedade dos Amigos das Letras, a Semana e outros periódicos em que colaborou, a maior parte será recolhida postumamente nos volumes de Telas Literárias, Vivos e Mortos e Casos do Meu Tempo. Em 1846, milita no Partido Cartista. Entre 1847 e 1850, depois de uma série de dissabores particulares e políticos, retira-se para Ponta Delgada, onde se dedica à defesa das que serão as suas grandes causas: a exaltação da atividade agrícola (veja-se Felicidade pela Agricultura, 1849) e a difusão da instrução primária (veja-se Felicidade pela Instrução). Regressado a Lisboa em 1850, iniciou a defesa do seu polémico Método de Leitura Repentina, que o levará a promovê-lo pessoalmente no Brasil e a intervir contra os que o criticavam com folhetos, e três anos depois foi nomeado comissário da Instrução Primária. Em 1865, numa altura em que, após a morte de Garrett e o retiro de Herculano, é o único representante vivo da primeira geração romântica e se torna uma espécie de patrono dos jovens poetas, publica a famosa "Carta ao Editor" no Poema da Mocidade de Pinheiro Chagas, texto que desencadearia a célebre Questão Coimbrã. Nos últimos anos, dedicou-se à tradução de clássicos (Ovídio, Anacreonte, Virgílio) e modernos (Molière, Goethe, Shakespeare). Em 1872, a sua tradução do Fausto de Goethe originaria uma nova polémica literária, a última em que se viu envolvido.
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