António Pedro

Pintor, poeta, ficcionista, dramaturgo, encenador, ensaísta, passou a infância em Moledo do Minho, tendo realizado os primeiros estudos na Galiza. Frequentou os dois primeiros anos dos cursos de Direito, em Coimbra, e de Ciências Histórico-Filosóficas, na Faculdade de Letras de Lisboa. Em Paris, entre 1934 e 1935, evoluiu, no domínio da poesia, de uma estética próxima do decadentismo, para uma expressão poética que recupera a vertente vanguardista do modernismo e que se aproxima do dimensionismo, pela tentativa, em 15 Poèmes au Hasard, de conciliação entre a palavra e a expressão plástica; e redige a sua primeira peça teatral, Comédie en un Acte, texto de nítida influência pirandelliana. Ligando-se a meios artísticos e intelectuais de vanguarda, assinou, juntamente com artistas ligados aos movimentos surrealista e dada europeus, como M. Duchamp, Kadinsky, Delaunay, Picabia, Miró, entre outros, o Manifeste Dimensioniste. Apenas uma Narrativa, de 1942, é considerada uma das primeiras manifestações do surrealismo em Portugal. Em Londres, entre 1944 e 1945, como correspondente português na BBC, participou nas atividades do grupo surrealista de Londres. De regresso a Portugal, integrou o Grupo Surrealista de Lisboa, publicando, no segundo número dos Cadernos Surrealistas, o Proto-Poema da Serra de Agra. A partir dos fins dos anos 40, dedicou-se quase exclusivamente à atividade teatral, desempenhando um papel fundamental na renovação do teatro português. Depois de uma experiência frustrada com o grupo Companheiros do Pátio das Comédias, fundou e dirigiu, entre 1953 e 1962, o Teatro Experimental do Porto, construindo espetáculos que contribuíram para a divulgação de grandes nomes da dramaturgia contemporânea, portugueses e estrangeiros, como Miller, Ionesco, Bernardo Santareno. Os textos dramáticos que escreveu, destinados às companhias que dirigiu, incluem a referida Comédia em um Ato, em duas versões, portuguesa e francesa; um exercício coral adaptado do romance tradicional português Reginaldo; uma farsa para fantoches, O Lorpa; e três grandes peças: Desimaginação, Antígona e Andam Ladrões Cá em Casa, a todas sendo comum "um agudo sentido da convenção teatral, deliberadamente assumida como tal e levada às últimas consequências, muito característico [...] do teatro pós-pirandelliano e da nossa dramaturgia experimental dos anos 40." (REBELLO, Luís Francisco - pref. a Teatro Completo de António Pedro, Lisboa, 1981, p. 19).
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