António Rodrigues Sampaio

Político liberal e jornalista português, nascido em 1806, em S. Bartolomeu do Mar, Esposende, e falecido em 1882, na mesma localidade, foi um dos homens mais destacados do seu tempo, batendo-se pelo estabelecimento do constitucionalismo no País e, depois da Regeneração, desempenhando funções de grande relevo.
Iniciou uma carreira eclesiástica mas, preso aos vinte e dois anos sob suspeita de simpatia pelos ideais liberais, abandonou-a definitivamente. Esteve durante cerca de dois anos e meio no cárcere. Uma vez libertado, participou nas Lutas Liberais, na fação de D. Pedro.
Após a Revolução de setembro de 1836, ascendeu a cargos importantes na administração do reino. Foi secretário da administração-geral do distrito de Bragança e administrador-geral do distrito de Castelo Branco. A sua atividade jornalística, que desde o início da década de 1830 o fazia notado - a primeira experiência foi no jornal A Vedeta da Liberdade, ganhou especial relevo com A Revolução de setembro, periódico que dirigiu a partir de 1844. Nos anos seguintes, os destinos do jornal e do próprio diretor sofreram com as vicissitudes da política: devido sobretudo à sua oposição ao regime de Costa Cabral, o órgão chegou a ter que ser publicado clandestinamente (aliás, como outros títulos que Rodrigues Sampaio publicou) e o próprio publicista foi preso uma vez mais, embora por pouco tempo, e depois andou fugido.
Após a Restauração, Sampaio voltou a ocupar cargos públicos, agora de relevo maior. Eleito para a Câmara dos Deputados em 1851, só a deixou em 1878, altura em que foi elevado a par do Reino, o que lhe deu acesso à Câmara Alta. Aí se manteve politicamente ativo.
Foi membro do Governo por diversas vezes, em 1870, 1871-1877 e 1878. Em 1881 ocupou mesmo a presidência do Conselho de Ministros.
Sampaio sempre se bateu por um conjunto de ideias de pendor democrático. Em conformidade, a sua ação reformadora apostou na promoção da instrução das populações (merecendo destaque a lei do ensino primário de 1881), no livre associativismo como forma de proporcionar aos cidadãos intervenção na sociedade, na descentralização administrativa e no municipalismo.
Como referenciar: António Rodrigues Sampaio in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-09-23 04:00:32]. Disponível na Internet: