antropomorfismo (filosofia)

Diz respeito à filosofia ou à religião e designa a ideia de atribuir a Deus qualidades humanas como o sentimento ou a imagem corporal. O politeísmo grego é aparentemente um excelente exemplo de antropomorfismo, na medida em que os deuses tinham todas as características humanas, todos os seus caprichos, qualidades ou defeitos. Embora se possa considerar com Plotino que a mitologia grega sofreu uma degenerescência e que a significação original era outra e bem mais profunda.
A Bíblia afirma, no Genesis, que o homem foi criado à imagem de Deus a daqui se inferiu perigosamente que Deus é à imagem do homem. Esta interpretação esquece que no mesmo livro da Bíblia se afirma que o homem atual é o homem decaído e não o homem como foi criado originalmente por Deus. É deste modo que se formam as doutrinas que, crendo-se justificadas através do Antigo Testamento, tentam explicar Deus através do homem, projetando nEle o que este é.
Contra este perigo surgiram reações, como a de Moisés, tentando salvaguardar a ideia de Deus para lá do antropomorfismo.
O Islamismo e o Judaísmo proibiram, a este propósito, a representação imagética no interior do templo. Um esforço na mesma direção se encontra na renovação arquitetónica iniciada por S. Bernardo na Ordem de Cister, ao despojar a Igreja do excesso de imagens, que impediam o sóbrio silêncio próprio para a elevação pela oração (um bom exempo é a Igreja do Mosteiro de Alcobaça). Dentro do cristianismo, no combate filosófico, direto ou indireto, encontramos S. Dionísio Areopagita, Mestre Eckhart e toda a mística renana e a teologia negativa, ao afirmar que Deus transcendente só pode ser definido por aquilo que não é. Pode-se afirmar que o oposto do antropomorfismo é a iconoclasia.
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