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Anwar Chairil
Poeta indonésio, Anwar Chairil nasceu a 26 de julho de 1922, em Medan, na Sumatra Oriental. Frequentou a escola primária em Jacarta, para onde a família se havia mudado, e apenas durante dois anos uma escola preparatória de língua holandesa em Mulo. Começou a escrever poesia quando ainda adolescente tendo, no entanto, destruído a grande maioria do espólio dos seus verdes anos.
Em 1940 foi viver para Jacarta, onde se revelou como um pioneiro da Empatpuluh Lima, a chamada "Geração de 45", movimento artístico-cultural indonésio que proclamava como objetivos: uma aproximação ao modernismo formal europeu, procurando fixar os regionalismos e atenuar a influência da língua colonial holandesa; e uma maior consciencialização política, já que o movimento se assumia como porta-voz da revolução no país. De notar, a título de explicação, que a Indonésia se tornou numa república em 1945, completamente reconhecida pela supremacia holandesa que a detinha como país independente no mesmo ano da morte do poeta.
Chairil tornou-se, em 1947, um dos editores principais da revista literária mais conceituada na época. Utilizando uma língua formalmente criada em 1928, o Bahasa Indonesia, Chairil procurou, através de um experimentalismo ousado, formular uma tensão sexual e emocional, contribuindo assim para a legitimação de uma identidade cultural indonésia, mesmo que, para tal, tenha encontrado inspiração em modelos europeus como T. S. Eliot, Rainer Maria Rilke e Emily Dickinson.
Durante a sua breve vida, publicou os seus poemas apenas em periódicos. 'Aku' (1943) e 'Dipo Negro' (1943) refletem bem a vertente nacionalista da obra do poeta, sendo, por exemplo, Dipo Negro o nome de um herói indonésio do século XIX que tentou lutar pela independência do território.
Tido como um dos maiores poetas do seu país, influência profunda na poesia e na prosa pós-independentista, Chairil levou uma vida desenfreada. A vitalidade que marcou os que o conheceram foi uma dessas dádivas ligeiras, dizendo-se de Chairil ter sido uma "ave tocando as águas".
Não havendo memória de mais de setenta poemas da sua autoria, faleceu a 28 de abril de 1949, em Jacarta, aos vinte sete anos de idade.
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