Apocalypse Now

Filme realizado por Francis Ford Coppola, em 1979, com Martin Sheen, Marlon Brando e Robert Duvall nos principais papéis.
Foi um dos primeiros filmes de grande produção a debruçar-se sobre a guerra do Vietname, embora Francis Ford Coppola tenha decidido fazer uma abordagem a nível psicológico da brutalidade americana centrada numa personagem-chave: a do coronel Kurtz, interpretado magistralmente por Marlon Brando. Baseado no romance Heart of Darkness, da autoria de Joseph Conrad, o filme conta a história de uma missão liderada pelo Capitão Benjamin Willard (Martin Sheen), incumbido pela CIA de eliminar um coronel renegado do exército americano que se havia estabelecido nas selvas do Cambodja, exercendo um poder abusivo e sendo venerado como um deus pelas tribos locais. À medida que o esquadrão de Willard se embrenha pela selva, começa a entrar em contacto com as atividades criminosas de Kurtz. Contudo, durante a viagem até ao pequeno reino de Kurtz, os elementos do esquadrão começam a sucumbir e a morrer um por um, causando o colapso psicológico de Willard, que adota a mesma postura insana do homem que veio matar. O filme de Coppola descreve uma viagem moral infernal e as consequentes manifestações do lado obscuro da mente humana. Apocalypse Now é uma obra que se distingue também pelas suas interpretações poderosas: Robert Duvall encarnou o inesquecível tenente-coronel Bill Kilgore, que adorava o cheiro a napalm logo pela manhã, sinal de vitória. O elenco de luxo englobava nomes como Laurence Fishburne (então com apenas 14 anos), no papel de militar do batalhão de Willard, Dennis Hopper (memorável na pele de psicadélico fotógrafo) e pequenas aparições de Harrison Ford e Scott Glenn. Apesar de premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes, Apocalypse Now perderia o Óscar de Melhor Filme para Kramer Vs Kramer (Kramer Contra Kramer, 1979), vencendo em apenas duas categorias: Som e Fotografia. Nesta última, ficou célebre o trabalho de Vitorio Storatto e dos seus poderosos jogos de contraste entre luz e sombra, visíveis durante as cenas com Brando. Contudo, a produção deste filme foi extremamente acidentada: os seis meses previstos de filmagem depressa se tornaram dois anos. Os motivos foram muitos: após duas semanas de filmagem, o ator Harvey Keitel (a quem tinha sido atribuído o papel de Capitão Willard), devido a problemas com drogas, foi substituído por Martin Sheen. Um furacão tropical obrigou à total reconstrução dos cenários e até Martin Sheen, devido ao forte trabalho psicológico que acarretava a sua personagem, se viu obrigado a parar devido a uma arritmia cardíaca. Para completar o azar, os constantes amuos de Marlon Brando e as suas excentricidades contínuas: recusara-se inicialmente a rapar o cabelo (condição indispensável à sua personagem), improvisava constantemente alegando a péssima qualidade dos diálogos (elaborados pelo próprio Coppola, em colaboração com John Millius) e recusava-se a filmar mais do que uma hora por dia. Tais dissabores foram objeto de análise num documentário realizado por Eleanor, mulher de Coppola, intitulado Hearts of Darkness: A Filmaker's Apocalypse (1991).
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