apreciação (economia)

Como apreciação deve entender-se todo e qualquer aumento de valor que possa afetar um determinado ativo económico ou financeiro. Entre esses ativos podem encontrar-se, por exemplo, terrenos cujo valor de mercado se incremente como resultado da melhoria dos acessos ou determinados bens que, com o decorrer do tempo, se vão tornando mais valiosos devido à sua escassez ou raridade. A apreciação opõe-se à denominada depreciação, que representa naturalmente a perda de valor de um determinado ativo.
Na prática, o termo apreciação é utilizado normalmente e fundamentalmente ao nível dos mercados cambiais, no contexto dos quais representa o aumento do valor de uma determinada moeda face a uma outra traduzido naturalmente na alteração da taxa de câmbio correspondente.
No entanto, e tendo em conta a aproximação em termos de significado entre apreciação e (re)valorização, bem como entre depreciação e desvalorização, fala-se em apreciação apenas quando nos encontramos num ambiente de regime de taxas de câmbio flexíveis. Este regime caracteriza-se, basicamente, pelo facto de não haver qualquer restrição ou barreira nos mercados cambiais imposta pelas autoridades monetárias dos países, pelo que o valor das taxas de câmbio entre as várias moedas deriva apenas e exclusivamente da relação entre a oferta e procura que se verifique na prática. Neste contexto, falar-se-á em (re)valorização quando o aumento do valor de uma determinada moeda se deve à intervenção direta e administrativa das autoridades monetárias de uma economia.
Tendo em conta que a taxa de câmbio representa o preço em moeda nacional de uma determinada divisa estrangeira, pode dizer-se que uma apreciação de uma moeda nacional face a uma moeda estrangeira implica a diminuição da taxa de câmbio em causa, na medida em que passa a ser necessária uma menor quantidade de moeda nacional para adquirir uma unidade da moeda estrangeira e vice-versa.
Em termos económicos, é portanto de esperar que uma apreciação da moeda nacional face a uma moeda estrangeira sirva de incentivo ao aumento de importações vindas desse país estrangeiro, na medida em que é necessário menos moeda nacional para adquirir os produtos que estão valorados na moeda estrangeira; ao mesmo tempo, é de esperar que as exportações para esse mesmo país estrangeiro sofram um impacto negativo, na medida em que os seus agentes económicos têm de despender uma maior quantidade de moeda para adquirir bens que esteja valorados à moeda nacional.
Por aqui se constata que a eventual ocorrência de (re)valorizações, ou seja, a diminuição forçada (e não na sequência do funcionamento do mercado) da taxa de câmbio de uma moeda nacional face a outra pode ter como base objetivos de política económica no que concerne à balança comercial entre os dois países em causa.
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