Araripe Júnior

Escritor, crítico literário, advogado e político brasileiro, Tristão de Alencar Araripe Júnior nasceu a 27 de junho de 1848, em Fortaleza, no Estado do Ceará (Brasil).
Filho do conselheiro de província Tristão Gonçalves de Alencar Araripe e de Argentina de Alencar Lima, o escritor acompanhou o pai, que exercia o cargo de chefe de polícia, nas várias deslocações pelo país, vivendo, por consequência, em Bragança (Pará), em Vitória (Espírito Santo) e em Pernambuco, onde se inscreveu no curso de Humanidades do Colégio Bom Conselho. Mais tarde, inscreveu-se no curso de Direito da Faculdade do Recife, tendo como colegas Tobias Barreto e Luís Guimarães Júnior. Após a conclusão do curso, foi secretário do governo de Santa Catarina até 1871, altura em que se transferiu para Maranguape (no Ceará), onde exerceu, entre 1872 e 1875, o cargo de juiz. Depois foi deputado provincial no Ceará e, em 1880, partiu para o Rio de Janeiro, onde desempenhou o cargo de advogado até 1886. Foi nomeado oficial de secretaria do Ministério dos Negócios do Império e, em seguida, do Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Em 1895, foi diretor geral da Instrução Pública e, em 1903, foi nomeado Consultor Geral da República, cargo que manteve até ao fim da vida.
A nível literário, estreou-se com o livro Contos Brasileiros (1868), sob o pseudónimo de Óscar Jagoanhara. Da sua obra, destaca-se Miss Kate, um romance psicológico que publicou em 1909, com o pseudónimo Cosme Velho. Araripe Júnior distinguiu-se sobretudo como crítico literário, escrevendo sobre vários escritores e sobre a literatura brasileira, como em José de Alencar (1882), Gregório de Matos (1893), Ibsen e o Espírito da Tragédia (1911), entre outros livros. Colaborou também, com artigos e ensaios, para jornais e revistas: A Gazeta da Tarde, A Gazeta de Notícias e A Semana. O seu trabalho crítico foi reunido em Obra Crítica de Araripe Júnior (1958-1966), uma publicação de cinco volumes, sob a direção de Afrânio Coutinho. Tanto a sua obra literária, como a sua obra crítica transparecem uma orientação nacionalista pela atenção dedicada à paisagem local, à influência do meio, aos temas da história brasileira, entre outros. Araripe Júnior, Sílvio Romero e José Veríssimo constituíram uma trindade crítica da época naturalista, marcada pelo evolucionismo e pela doutrina determinista de Taine.
Araripe Júnior, membro fundador da Academia Brasileira de Letras, faleceu a 29 de outubro de 1911, no Rio de Janeiro.
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