Arcádia Lusitana

A Arcádia Lusitana era o designativo da Academia de Belas-Artes criada em 1756, fazendo parte de um amplo movimento de criação de academias, ato muito em voga nos séculos XVII e XVIII. O seu modelo foi a Academia dell' Arcadia de origem italiana. O objetivo da criação desta Academia era, fundamentalmente, combater o "mau gosto" que imperava no século XVII relativamente à obra literária poética e implantar um novo gosto estético. Os seus impulsionadores - os Árcades - eram defensores da ideia de que a razão deveria ser colocada em primeiro plano relativamente ao sentimento.
Sinónimo de uma época marcada pelo despotismo esclarecido, é também o reflexo de uma nova ordem social apoiada na burguesia, já que os seus membros eram maioritariamente burgueses. Os poetas passariam a usar expressões do mundo burguês. Um dos grandes protetores da Arcádia Lusitana foi o Marquês de Pombal.
A intervenção dos Árcades estende-se a todos os setores da vida cultural portuguesa, desde a literatura, com especial destaque para a poesia, passando pelas artes plásticas, cujo seu maior expoente é Machado de Castro, até ao teatro, manifestando o propósito de criar um teatro nacional.
A Arcádia Lusitana viria a extinguir-se em 1764 mas continuaria a influenciar gerações posteriores de artistas, porque foi através da ação dos Árcades que Portugal se preparou para entrar no Romantismo, principalmente no âmbito da obra literária, cujo seu mais importante discípulo foi Almeida Garrett.
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