arco-íris

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Quando um feixe de luz solar vai de encontro às gotas de chuva (ou, mais raramente, nas de chuvisco, nevoeiro, etc.), os raios luminosos são refratados ao entrar em cada gota, refletem-se no interior da mesma, que se comporta como um pequeno espelho côncavo, sofrem um desvio de 138 graus e emergem por outro ponto da gota, passando então por uma segunda refração.
Constituem assim o arco-íris primário e chegam ao observador formando um ângulo de 42 graus com os raios solares incidentes. O arco é circular, irisado, apresentando a cor vermelha na orla exterior e a roxa na interior e o seu centro está sobre a reta que une o centro do Sol com o ponto da esfera celeste diametralmente oposto. Por vezes, durante este fenómeno, alguns dos raios que incidem nas gotas de chuva passam por uma dupla reflexão, logo após a primeira refração. Estes raios sofrem um desvio de 130 graus e vão depois emergir das gotas por outro ponto, sofrendo então a segunda refração.
Neste caso chegam ao observador formando um ângulo de 50 graus com os raios solares incidentes, constituindo um arco-íris secundário, que se apresenta numa posição exterior ao arco primário e com a ordem das cores invertida em relação a este.
Mais raramente pode surgir um arco terciário, que será sempre muito pouco intenso.
Quando o arco-íris primário se forma no nevoeiro ou neblina vai apresentar-se esbranquiçado, com a orla exterior alaranjada e a interior arroxeada, podendo também designar-se por "arco-íris branco" ou "arco branco".
Mitologia

Conhecido como o caminho intermédio entre o Céu e a Terra, por onde passam os deuses e os heróis, o arco-íris pertence praticamente à mitologia de todas as civilizações, assumindo, por vezes, a identidade das deusas. União do feminino com o masculino, na Antiguidade existia a noção de que tudo resultava do arco-íris devido aos reflexos do arco-íris nas superfícies de muitos objetos e mesmo da pele e do cabelo humanos.
O arco-íris é, na maior parte das tradições do Mundo, um bom presságio de felicidade através da renovação universal cíclica, salvo em alguns casos em que aparece claramente como um sintoma nefasto de doença e de morte, como é o caso de certas tradições do Sul do Vietname. Em certas regiões da Ásia central, acredita-se que o arco-íris bebe a água dos lagos e dos rios, e que pode mesmo engolir os seres humanos incautos. A Mãe-Serpente Arco-Íris é a deusa que, entre os aborígenes da Austrália, deu origem ao Mundo e a todos os seres. Em África, a tradição da deusa do arco-íris, chamada de Oya, também está ligada à criação do Universo e é um sinal divino de comunicação com os homens. Na migração forçada de africanos para o Novo Mundo, ela deu origem à deusa Olla de Cuba e de outros países da zona das Caraíbas ou a Iansã dos terreiros do Brasil, entre outros nomes assumidos nos países marcados historicamente pela escravatura. A deusa mensageira grega Íris, tão famosa nas lendas do panteão dos deuses olímpicos, tinha a sua antecessora na mitologia da Índia pré-védica, na manifestação de Kali. O arco-íris está representado no arco de Shiva e de Indra e faz parte da representação dos sete céus. Na tradição da Escandinávia, o arco-íris era o colar de Freya, enquanto na Babilónia era o colar da deusa Ishtar e também o seu véu de sete cores usado também pelas sacerdotisas de Ishtar. Uma tribo de índios da Colômbia acredita que o arco-íris protege as mulheres grávidas, enquanto que, para os Incas, o arco-íris é a coroa de penas da divindade das chuvas e é um sinal de mau presságio. A tradição islâmica refere o arco-íris como o reflexo na Terra das qualidades divinas de Alá. O Livro do Génesis refere o arco-íris como o sinal da aliança de Deus com o seu povo e com a terra. O arco-íris é também um sinal divino para Noé e para Pedro, tanto no Antigo como no Novo Testamentos. O arco-íris, associado com a chuva, está presente em algumas civilizações asiáticas como uma manifestação da serpente mitológica Naga.

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