Arcos de Valdevez


Aspetos Geográficos
O concelho de Arcos de Valdevez, do distrito de Viana do Castelo, localiza-se na Região do Norte (NUT II) e Minho-Lima (NUT III), e situa-se na margem direita do rio Vez, no coração do Alto Minho. Encontra-se rodeado por cinco concelhos - Melgaço e Monção a norte, Paredes de Coura e Ponte de Lima a oeste e Ponte da Barca a sul. Faz ainda fronteira com Espanha a nascente.
É o maior concelho do distrito, ocupando uma área de cerca de 447 km2, na qual se distribuem 51 freguesias: Aboim das Choças, Aguiã, Álvora, Arcos de Valdevez (Salvador), Arcos de Valdevez (S. Paio), Ázere, Cabana Maior, Cabreiro, Carralcova, Cendufe, Couto, Eiras, Ermelo, Extremo, Gavieira, Giela, Gondoriz, Grade, Guilhadeses, Jolda (Madalena), Jolda (S. Paio), Loureda, Mei, Miranda, Monte Redondo, Oliveira, Paçó, Padreiro (Salvador), Padreiro (Santa Cristina), Padroso, Parada, Portela, Prozelo, Rio Cabrão, Rio Frio, Rio de Moinhos, Sá, Sabadim, Santar, S. Cosme e S. Damião, S. Jorge, Senharei, Sistelo, Soajo, Souto, Tabaçó, Távora (Santa Maria), Távora (S. Vicente), Vale, Vila Fonche e Vilela. Em 2005, o concelho apresentava 24 600 habitantes.
O natural ou habitante de Arcos de Valdevez denomina-se arcuense ou arquense.
Integra-se em grande parte no sistema montanhoso Peneda-Gerês. Com um relevo bastante acidentado, o vale do rio Vez ocupa uma posição de destaque na paisagem. A população procura os vales abrigados dos rios Vez e Lima, fugindo às agruras climáticas das zonas montanhosas do Soajo e da Peneda. A maior concentração populacional à qual corresponde a área mais dinâmica do concelho encontra-se no vale do Vez.
Arcos de Valdevez sofre a influência de um clima de tipo atlântico, que assume algumas feições consoante a variação da altitude, caracterizado por chuvas abundantes e temperaturas moderadas.

História e Monumentos
Existem referências a Val-de-Vez no século X, no famoso testamento de Mumadona de Guimarães, sendo seguro que a povoação terá sido fundada em época anterior à dominação romana. Além disso, da Pré-História chegaram até nós um grande número de monumentos funerários, de onde se destacam o núcleo megalítico do Mezio, e ainda, a estação de arte rupestre de S. Gião.
Na origem da designação de Arcos de Valdevez está a antiga ponte dos arcos, sobre o rio Vez. No período românico, os topónimos arco ou arcos são sinónimos de ponte. Estes topónimos já eram usados em 1258, o que indica a existência da ponte nestes tempos, atribuindo-se-lhe um papel determinante no desenvolvimento deste lugar ao longo da Idade Média. O foral que D. Manuel lhe concedeu em 1515 comprova a importância desta área.
Do seu património arquitetónico destacam-se: a antiga ponte dos Arcos; a Igreja Matriz, de finais do século XVII; a Capela da Nossa Senhora da Conceição, datada de finais do século XIV; a Igreja da Misericórdia, bastante alterada ao longo da sua existência; a Igreja da Nossa Senhora da Lapa, do século XVIII, tida como um dos monumentos mais valiosos do concelho; o pelourinho e o cruzeiro; o Mosteiro de Ermelo; a Torre da Grade; a Capela de São João Batista; a torre, casa e quinta de Aguiã; a casa solarenga na quinta do Requeijo; o Paço de Giela; a ponte medieval de Vilela; o pelourinho do Soajo; e o Santuário de Nossa Senhora da Peneda.

Tradições, Lendas e Curiosidades
Realizam-se feiras quinzenais às quartas-feiras e uma feira anual a 11 de julho. Em agosto, festejam-se as romarias da Senhora da Lapa e de Santa Maria do Castelo.
O feriado municipal tem lugar a 11 de julho.
No artesanato predominam a cestaria e a tecelagem, juntamente com a tamancaria, a ferraria, a escultura em pedra, o trabalho da madeira e os bordados.
Há uma grande quantidade de lendas nesta zona, como a lenda da cabeça da velha; lenda da Moira Encantada de Giela; lenda da Senhora da Peneda e da Pastorinha; lenda da Veiga da Matança; lenda das Bodas do Cemitério; lenda do Mosteiro do Ermelo; entre outras.

Economia
A economia de Arcos de Valdevez assenta essencialmente no setor primário. A agricultura continua a ser a principal atividade, ocupando mais de metade da população ativa. Não é uma agricultura de grande modernização e elevados rendimentos. Pratica-se uma agricultura tradicional que tem permitido em certa medida a preservação da paisagem, das tradições e da cultura de um povo ancestralmente ligado à terra, apesar desta nem sempre ser a mais generosa. Escasseiam os solos férteis e de grande aptidão agrícola. O principal objetivo da produção é a subsistência, quando muito a venda local dos excedentes, com técnicas de cultivo rudimentares, em pequenas propriedades, já muito divididas - o chamado minifúndio. São os cereais, o vinho e a fruta os produtos agrícolas com maior significado nesta região, onde se cria também gado bovino e caprino.
O setor secundário tem demonstrado algum crescimento. Além das tradicionais indústrias de cerâmica e de fogos de artifício, a construção civil e a transformação da madeira apresentam alguma dinâmica.
Tanto as paisagens humanizadas como as mais selvagens e recônditas constituem forte potencial para o desenvolvimento do turismo. Assiste-se nos últimos tempos ao incremento de novas práticas, ligadas ao montanhismo, à caça, à pesca da truta ou ao simples usufruto da frescura e da tranquilidade que caracterizam estas áreas de forte cariz rural.
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