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aristotelismo na Idade Média
Corrente filosófica desenvolvida a partir da difusão dos escritos de Aristóteles. O aristotelismo na Idade Média não se confunde, no entanto, com a filosofia pura de Aristóteles, uma vez que o legado aristotélico, herdado por vias culturais diversas (latina, árabe, judia), é assimilado muitas vezes de forma indireta por comentários, versões, paráfrases, que releem, reescrevem, corrigem, completam o corpus aristotélico.

É sobretudo a partir de meados do século XII que a irradiação do aristotelismo é visível graças à multiplicação das traduções do Organon, à influência dos primeiros comentadores árabes, como Avicena, e à difusão da doutrina aristotélica no ensino universitário. A partir de meados do século XIII, da reformulação de Aristóteles à luz da Teologia, sob a influência de S. Agostinho, com S. Boaventura, ao aristotelismo de inspiração platónica de Alberto Grande, a partir dos comentários do Pseudo-Dionísio, Avicena ou Procles, o aristotelismo tende a ramificar-se em correntes que irão, cada vez mais, declarar uma oposição doutrinária entre si, de acordo com a perspetiva que adotam relativamente a Aristóteles. A partir de dada altura já não falamos de aristotelismo mas de correntes filosóficas de inspiração aristotélica individualizadas, como o Tomismo (a partir do desenvolvimento do legado aristotélico efetuado pelo dominicano S. Tomás de Aquino num sistema teológico fortemente argumentativo e dialético), Averroísmo (forma de aristotelismo heterodoxo baseada nos textos de Averróis) ou Escotismo (a partir da conciliação da filosofia aristotélica com as doutrinas da tradição monástica franciscana efetuada por Duns Escoto). Por outro lado, da harmonização da doutrina cristã com a filosofia aristotélica, efetuada nas universidades medievais, deriva a Escolástica, enquanto forma de saber que une num sistema exaustivo e racional a verdade revelada com a verdade filosófica. O Aristotelismo medieval possui na cultura portuguesa um representante de vulto, o filósofo, médico e papa (João XXI), Pedro Hispano, autor de vários comentários aristotélicos e do Tratactus, um compêndio didático-doutrinário.
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