Armando Cortez

Ator português, nasceu a 23 de junho de 1928, em Lisboa, e morreu a 11 de abril de 2002, vítima de complicações cardíacas. A sua carreira artística iniciou-se no Liceu Pedro Nunes, onde fez teatro radiofónico amador. Findos os estudos liceais, ignorou as pretensões do pai em vê-lo pintor e decidiu entrar no Conservatório. Ainda como aluno, estreou-se no Teatro Estúdio de Salitre, com a peça Um Chapéu de Palha de Itália (1949), de Labiche, ao lado de Canto e Castro e Rogério Paulo. Terminado o Conservatório, profissionalizou-se no Teatro Apolo, e integrou a Companhia Teatro do Povo, tendo feito dezenas de tournées pelo país. Estreou-se no cinema com um pequeno papel em O Cerro dos Enforcados (1954), mas a sua grande paixão era, sem dúvida, o teatro. Cortez começou a granjear aura de ator dramático, tendo protagonizado À Espera de Godot, de Samuel Beckett, em 1957, ao lado de Ribeirinho e de Fernando Gusmão, e um inesquecível Rei Lear, em 1958. Com o advento da televisão em Portugal, Cortez tornou-se mais conhecido junto do grande público, nomeadamente com a sua participação nas peças de teatro semanais e na parceria cómica que fez com Francisco Nicholson em Riso e Ritmo (1960). Em 1962, fundou o Teatro Moderno de Lisboa, atuando e encenando, no Cinema Império, peças como O Pato e O Crime do Padre Amaro. Fez também incursões pelo teatro de revista, contracenando com Laura Alves, Raul Solnado e Ivone Silva. Em 1975, foi protagonista, ao lado de Raul Solnado, duma das peças teatrais mais bem sucedidas do pós-25 de abril: Schweik na Segunda Guerra Mundial, de Bertolt Brecht, com um elenco composto por nomes como Ruy de Carvalho, Lourdes Norberto, Fernanda Borsatti e Adelaide João. Na década de 80, o ator preferiu dedicar-se à televisão, embora não tenha colocado de parte o teatro, participando em títulos como Tragédia na Rua das Flores (1981) e a comédia Aqui Há Fantasmas (1987), de Henrique Santana. Pelo meio, teve uma sólida participação no filme Sem Sombra de Pecado (1983), de José Fonseca e Costa, naquela que foi a sua prestação cinematográfica mais célebre, ao lado de Mário Viegas. No ecrã televisivo, o nome de Cortez apareceu associado às telenovelas: a primeira foi Chuva na Areia (1984), ao lado de Virgílio Teixeira e de Mariana Rey Monteiro. Posteriormente, seguiram-se Palavras Cruzadas (1986), Passerelle (1988), uma inesquecível parceria com Raul Solnado na comédia Lá em Casa Tudo Bem (1988), Cinzas (1993), Na Paz dos Anjos (1994), Vidas de Sal (1996), Filhos do Vento (1996), A Grande Aposta (1997) e Os Lobos (1998). Em 1999, viu cumprido o seu sonho: a inauguração da Casa do Artista, uma casa de repouso para pessoas do espetáculo. Por isso e pelo seu percurso artístico, foi galardoado, em 2000, com a Ordem do Infante D. Henrique. Profissionalmente, foi através da televisão que o ator se despediu do grande público: com a série Alves dos Reis (2000) e com a telenovela Ajuste de Contas (2000), onde interpretou magistralmente a personagem de Mestre Eugénio, um pintor alcoólico que desperdiça o seu talento a falsificar quadros. Neste último trabalho (como em muitos outros), contracenou com a sua mulher Manuela Maria, com quem casara em 1960.
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