Arnaldo Antunes

Compositor e cantor, instrumentista, poeta e artista plástico, Arnaldo Augusto Nora Antunes Filho nasceu a 2 de setembro de 1960, em São Paulo, no Brasil. Quarto de sete filhos, frequentou o Colégio Luís de Camões a partir dos 7 anos de idade, mudando-se para o colégio de São Domingos, no bairro de Perdizes, em 1973. Por essa altura, desperta no jovem Arnaldo Antunes o interesse pelas manifestações artísticas nas suas mais variadas formas e, em sequência disso, começa a escrever os primeiros poemas e a desenhar. Em 1975, ingressa no Colégio Equipe, escola famosa pelo apoio à educação artística, fomentando uma intensa atividade cultural. Nesse ambiente, Arnaldo Antunes encontra o estímulo certo para desenvolver as suas aptidões, tanto nos domínios do cinema como na literatura. São conhecidos, neste período, a sua curta-metragem Temporal e a novela Camaleão, ambos divulgados no âmbito da escola.
Em 1979, com a mudança da família para o Rio de Janeiro, consegue a transferência do curso de Letras da Universidade de São Paulo para a congénere carioca. É dessa altura o vídeo experimental Jimi Gogh, um exercício conjugador da arte plástica de Van Gogh e da música de Jimi Hendrix. No ano seguinte, regressa a São Paulo, na companhia de Go, a sua primeira mulher. Hospedados na casa de José Roberto Aguilar, proeminente referência das artes brasileiras, ensaiam várias performances conjuntas que, em última instância, levaram à criação da Banda Performática. Sob esse epíteto, apresentam-se em diversas ocasiões públicas, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Na Banda Performática, Arnaldo era um faz-tudo, combinando noções musicais (canto e percussão), representação e humor. Por esta altura, Arnaldo Antunes envolve-se em diversas atividades de índole cultural e artística, desenvolvendo as suas competências como músico, escritor e artista.
O ano de 1982 é uma etapa decisiva no percurso musical. Na companhia de antigos amigos do colégio Equipe, funda o agrupamento Titãs do Ieié, com nove elementos. Além das aparições públicas nos Titãs, a Banda Performática grava o primeiro disco, numa editora independente. A esse lançamento, seguiu-se a fase de maior expansão mediática do grupo, com diversos convites para programas televisivos e atuações em algumas das principais salas brasileiras. Num ano particularmente ativo, Arnaldo Antunes associa-se a outra banda, os Intocáveis, na companhia da mulher e de alguns membros dos Titãs. Com estes, grava o primeiro disco em 1984. Entre publicações livreiras, exposições plásticas conjuntas com Go e outras edições discográficas, Arnaldo Antunes mantém uma dinâmica impressionante, a que corresponde um acréscimo na popularidade dos Titãs, confirmada com o disco de ouro para Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas (1987). O segundo casamento, com Zaba Moreau, acontece em pleno crescimento dos Titãs a nível internacional, culminando com a presença no prestigiadíssimo Festival de Montreux, em 1988, e três anos mais tarde, no Rock in Rio. Em 1992, Arnaldo Antunes é agraciado com o Prémio de Melhor Música do ano, para o tema "Grávida", gravado em parceria com Marina Lima.
A primeira edição a título individual acontece pelo selo BMG, em 1993, com o álbum Nome, um conceito que unia música, poesia e produção gráfica. A edição mereceria exibições públicas, não só no Brasil, mas também na Áustria, Estados Unidos, Itália, França, Alemanha, Suíça, Espanha, Holanda, Austrália e um pouco por toda a América Latina. Por esta altura, eram comuns as participações de Arnaldo nos trabalhos de outros músicos de nomeada (Marisa Monte, Adriana Calcanhotto, Cássia Eller, Golpe de Estado, entre outros), bem como a utilização de suas músicas em diversas coletâneas e bandas sonoras de filmes. A sua atividade como poeta e artista plástico continuou, tanto no Brasil como além-fronteiras. Do estreitamento de relações com outros artistas brasileiros, destaca-se a cumplicidade com Carlinhos Brown e Marisa Monte, numa relação de vários anos e cujo corolário seria, com tremendo sucesso, o álbum Tribalistas, lançado em 2002. O disco chegaria a tripla platina no Brasil e registaria inúmeras distinções, como o prémio TIM de melhor Grupo, o prémio Austregésilo de Athaíde para o melhor CD, o troféu de Imprensa para Melhor Grupo e Melhor Música e o Grammy de Melhor Álbum Contemporâneo Brasileiro (2003). Em 2004, Arnaldo Antunes lança o primeiro registo (Saiba) pela sua editora, a Rosa Celeste, com distribuição da BMG. Sempre disponível para participar nos trabalhos de outros músicos, junta-se a Hélder Gonçalves na composição de dois temas do álbum Rosa Carne (2004), dos portugueses Clã, e retoma os laços artísticos com Marisa Monte, no duplo álbum da cantora (Universo ao Meu Redor e Infinito Particular, 2006).
Discografia
1993, Nome
1995, Ninguém
1996, O Silêncio
1998, Um Som
1999, Focus - O Essencial de Arnaldo Antunes
2000, O corpo
2001, Paradeiro
2004, Saiba
2006, Qualquer
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