Arte Bizantina

Introdução
O império bizantino desenvolveu-se durante onze séculos, desde a cisão do império romano e a consequente fundação de Constantinopla em 324 d. C., até à sua conquista pelos Turcos Otomanos em 1453 d. C. A um período inicial de transição seguiu-se, durante o reinado do imperador Justiniano (527-565), o primeiro momento áureo da arte bizantina. Constituiu um momento de expansão territorial, através da reconquista de parte dos antigos domínios no Ocidente (incluindo parte de Itália), durante o qual a capital imperial se assumiu como um dos grande centros culturais e artísticos do mundo mediterrânico.
Em 726 d. C. o imperador Leão II decreta a proibição e sistemática destruição dos ícones e das representações humanas na arte religiosa, estabelecendo uma rutura com as formas anteriores de culto. Terminada esta fase iconoclasta em 843 d. C., com a ascensão da dinastia Macedónia (867-1056), atingiu-se então um novo período áureo no campo artístico conhecido por renascimento macedónio, caracterizado pela recuperação dos ideais clássicos e da monumentalidade da arte da época de Justiniano.
Após um breve período de domínio veneziano (entre 1204 e 1261), seguiu-se a última fase artística do império que seria continuada, depois do século XV, pelos países de religião Ortodoxa.
A cultura bizantina apoiava-se no cristianismo, tendo definido uma interpretação própria que a afasta da Igreja Romana. A religião ortodoxa era mais contemplativa e os seus rituais centravam-se na veneração de ícones (retratos muito estilizados das figuras sagradas).

Arquitetura
Constituindo uma das tipologias mais importantes da arquitetura bizantina, a igreja teve, durante o primeiro período do império, dois modelos fundamentais: a basílica (um espaço longitudinal formado por várias naves e rematado pela abside) e a igreja de planta centralizada com cúpula. O primeiro, característico da arquitetura paleoristã desenvolvida na Itália foi gradualmente desaparecendo em favor do plano centralizado de inspiração oriental, que se tornava então dominante.
A Igreja de Santa Sofia de Constantinopla, projetada na primeira metade do século VI d. C. pelos arquitetos Anthemio de Tales e Isidoro de Mileto para o imperador Justiniano, representou o apogeu desta tipologia de plano centralizado. A partir de uma planta de base quadrada, ergueram-se diferentes volumes prismáticos e semicúpulas, que culminavam na cúpula central. A grande austeridade dos volumes e a quase total ausência de ornamentação que definiam a imagem exterior da igreja contrasta radicalmente com a grande complexidade do espaço interior, determinada pela ambiguidade entre a vocação centralizada deste espaço, pontuado pelo impulso vertical conferido pela enorme cúpula central (que atingia cerca de 56 metros de altura máxima), e a marcação dum eixo longitudinal, acentuado pela deslocação do altar para a abside que rematava a nave central. Esta nave era ladeada por duas outras naves mais pequenas, separadas por três nichos com arcadas e colunas, imprimindo uma inusitada fluidez espacial a este templo. A iluminação do interior, concretizada por várias janelas e por uma série de pequenas aberturas rasgadas no tambor da cúpula assim como os revestimentos em mármore e mosaico
contribuíram para a sensação de desmaterialização dos volumes e das superfícies, proporcionando a este templo uma rara qualidade mística e espiritual.
As qualidades espaciais e formais da igreja de Santa Sofia serviram como fonte de inspiração para muitos outros edifícios erguidos neste período, como por exemplo, alguns dos edifícios monumentais da cidade de Ravenna, construída entre 527 e 751 d. C. (data da conquista deste território pelos Lombardos), de entre os quais se destaca a igreja de San Vitale.
A partir do século IX, durante a ascensão da dinastia Macedónia, consolida-se a tipologia de planta central para os edifícios religiosos. Foi então desenvolvido um novo modelo espacial (em forma de cruz grega, inscrita numa planta quadrada, pontuada por uma cúpula central) que procurava simplificar volumétrica e construtivamente a tipologia anterior e de que a Pequena Metrópole de Atenas, construída no século XII, constitui um bom exemplo.
No século XIII, esta tipologia é enriquecida com a construção de cúpulas laterais mais baixas assentes nos quatro braços da cruz (um modelo já experimentado no século XI, na Basílica de S. Marcos de Veneza). Estas cúpulas, que gradualmente se tornam mais esbeltas, eram frequentemente erguidas sobre tambores (cilíndricos ou octogonais), o que contribuiu para a acentuação da verticalidade do espaço. Muitos destes edifícios religiosos, nomeadamente os que se constroem na Grécia e nos Balcãs, apresentam dimensões reduzidas.

Arte plásticas
O mosaico foi um dos géneros artísticos mais difundidos na arte bizantina. Utilizado para revestimento dos espaços interiores dos templos, alcançou um alto nível técnico e artístico, suplantando as melhores criações da época romana.
Os mais interessantes e bem preservados conjuntos da época Justiniana são os mosaicos das igrejas de Santo Apolinário Novo ou de San Vitale, em Ravenna, realizados em meados do século VI d. C.
No interior de San Vitale encontram-se os dois paradigmáticos mosaicos do imperador e da imperatriz, rodeados por figuras importantes da corte. A representação destas figuras, em hierática posição frontal, eliminando qualquer sugestão de profundidade, anunciava já a estilização rígida dos ícones.
Durante o renascimento macedónio assistiu-se ao desenvolvimento expressivo do ícone. Considerando que as figuras sagradas não deveriam ter uma representação realista e terrena, os artistas bizantinos adotaram uma linguagem mais abstrata que resultou na estilização formal das imagens e na simplificação do modelado e da cor. A figura da Virgem com o menino, tornou-se uma das mais famosas e canónicas representações religiosas ortodoxas, sendo geralmente aplicada, em mosaico ou pintura, nas semi-cúpulas que encerravam as absides das igrejas.
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