Arte Cinética

A procura da representação do movimento é uma das constantes presentes ao longo de toda a história da arte. A possibilidade de uma arte em que o movimento fosse o próprio movimento havia sido já intuída e desenvolvida nos primeiros anos do século XX por alguns construtivistas, futuristas, dadaístas, e por escultores como Moholy-Nagy e Calder. O Cinetismo, termo sinónimo de movimento e importado da física e da química, afirmou-se como corrente artística autónoma em Paris, nos anos 50.
Os meios de expressão deste movimento são inúmeros. Se Vasarely descobre o movimento através da ilusão ótica no campo da pintura, já Tinguely procura na máquina a expressão máxima deste movimento, dentro de uma poética apologista da estética industrial.
Com as suas Meta-Matic, Tinguely fez do movimento um princípio de desconstrução irónica da máquina. Nas suas composições mecânicas, este artista entendia o movimento numa dupla vertente: este não só animava o objeto, mas também lhe conferia uma existência. Como seres vivos, as suas máquinas em movimento causavam medo, espanto ou despertavam a admiração no espectador. São máquinas inúteis, absurdas, que proferem movimentos desajeitados, que desenham ou mesmo cometem suicídio, ao se autodestruir numa apresentação no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, em 1960.
Outra vertente da Arte Cinética é desenvolvida pelo escultor Nicolas Schöfer. Este artista conjugava simultaneamente o espaço, a luz e o tempo para chegar a uma expressão artística mais completa. Nas suas obras "luminodinâmicas", as construções espaciais eram animadas pela introdução da luz artificial e do fator tempo programado. Na obra mais famosa deste autor, "Prisma", uma projeção animada de luzes coloridas compõe-se em inúmeros efeitos caleidoscópicos.
Como referenciar: Porto Editora – Arte Cinética na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-09-16 19:14:54]. Disponível em