Arte Ming

A dinastia Ming foi fundada, em 1368, por um ex-monge budista, Yuan-chang, que adotou o nome de Tai-tsu.
Desde a sua fundação a dinastia Ming preocupou-se em reestabelecer as tradições culturais do período Song, que lhe antecedeu. Apesar dos muitos contactos estrangeiros ocorridos durante a dinastia Ming, os desenvolvimentos culturais foram caracterizados por uma atitude geralmente conservadora e virada para o seu próprio império.
Preocuparam-se, por exemplo, com a urbanização de Pequim segundo um plano estabelecido por princípios geométricos: no centro ficava a Cidade Proibida, onde vivia o imperador e a família, que se encontrava dentro da cidade imperial, ambas as cidades cercadas por muros vermelhos cobertos por telhas amarelas. A Cidade Proibida, uma das imagens "de marca" desta dinastia, foi construída no século XV pelo imperador Yung Lo, posteriormente alargada e reconstruída, tendo perdurado como símbolo do poder imperial, apesar de, em termos arquitetónicos, representar um declínio em relação ao plano aventuroso do período Song.
Entre outras edificações mais importantes da época Ming, salientava-se o Templo do Céu, iniciado em 1420 e concluído em 1753, já no reinado de um imperador da dinastia Manchu, Kien-lung. De planta circular, era constituído por três pisos com telhados sobrepostos de telhas azuis.
Outro núcleo importante era o mausoléu do imperador Yung Lo, que faz parte do conjunto monumental dos túmulos Ming, em Pequim. Aqui, as portas que davam para este recinto eram autênticas obras de arte do trabalho da pedra, influência recebida da carpintaria.
Pode dizer-se, assim, que a arquitetura deste período adquiria um carácter monumental visível não só nos próprios edifícios, mas também nos pátios cobertos de ladrilhos de mármore, nos jardins, lagos com pontes e quiosques de forma serpentinada, bem como na policromia e formas exageradas (tetos) que distribuíam o espaço, conferindo à arquitetura um carácter muito próprio.
No que toca à escultura, esta era caracterizada pela imitação das obras das dinastias Suei e Tang (séculos VII-IX). No período Suei, por exemplo, a arte escultórica assumiu uma vertente mais profana que religiosa, visível nas figuras dos budas cobertos de toucados, tiaras e joias, refletindo um pouco o luxo da corte de Yan-ti (segundo e último imperador da dinastia Suei). Todavia, o melhor da escultura Ming encontra-se não em grandes estátuas mas em pequenos trabalhos ornamentais esculpidos em jade, marfim, madeira e porcelana.
No que diz respeito à tradição pictórica, a dinastia Ming manteve a começada pela dinastia Yuan (de origem mongol).
As obras de Sen-Cheu (1427-1509), Wen Cheng-Ming (1470-1559) e Kin Ying (1500-1550) revelam formas, conteúdos e temática tratados de uma maneira livre e harmoniosa. Com Tong Ki-tchang (morreu em 1636), o realismo foi introduzido na paisagem.
A pintura da dinastia Ming era, portanto, caracterizada, por um lado, por um certo ecletismo académico e conservador e, por outro lado, por um grupo de pintores independentes que adotaram uma técnica livre, de pinceladas vivas. Por outras palavras, duas tradições se distinguiram: a pintura literária da escola Wu e a pintura académica profissional da escola Che. Apesar destas duas tendências, os artistas, geralmente, insistiam em dar às suas criações um cunho muito pessoal.
Quanto às artes decorativas, estas foram grandemente desenvolvidas, alcançando o seu apogeu no século XVIII. Os bordados, a talha de marfim e jade, o cristal de rocha, as lacas pintadas no vermelho "sangue-de-boi" e no preto da mobília, os embutidos, a escultura em bronze, os cloisonnés e a louça esmaltada são as mais significativas formas de manifestação das artes decorativas desta época.
Na cerâmica, assistiram-se a muitos desenvolvimentos, paralelamente à continuação das tradições estabelecidas. Havia três grandes tipos de decoração. A mais conhecida, frequentemente chamada de "azul e branca", era imitada em Henan, Japão, e, no século XVII, na Europa. A maior parte desta porcelana era produzida na província de Kiangsi.
A cerâmica Ming era policromática e decorativa, na tradição da dinastia Song. Porém, a porcelana adquiriu especial importância, sendo executadas peças de grande valor artístico. Dois centros se destacaram: as oficinas imperiais, em Pequim, onde eram concebidas as peças mais luxuosas, de fundo amarelo ou azul-turquesa, e as oficinas de Funkien, que produziam a conhecida porcelana "azul e branca", constituída por pequenas figuras ou vasilhas, às vezes com motivos decorativos vistos só à contraluz e outros objetos decorados a azul ou várias cores.
A maior parte destes objetos foram exportados para países do Médio Oriente, como a Turquia e a Pérsia, e, no século XVI, para a Europa, servindo Lisboa de ponto intermediário, no que toca às porcelanas "azuis e brancas".
A partir do século XVII, os Holandeses importaram para Amesterdão muitas destas peças, aumentando ainda mais a difusão da arte chinesa e, em especial, da do período Ming.
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