Arte Poética

A Arte Poética distribui-se por três volumes que tratam em primeiro lugar da problemática geral da estética literária, das questões dos géneros teatrais clássicos e dos preceitos da poesia épica e lírica. Cândido Lusitano recorreu a exemplos das literaturas antigas e das românicas modernas para explicitar os assuntos tratados. Serviu-se de fontes francesas, espanholas e italianas e de autores como Muratori, Guarini e Tesauro. Começa por definir poesia como "... imitação da natureza no universal e no particular, feita em versos, para utilidade e deleite dos homens". Admite, assim, que a poesia reproduza apenas o real, mas pensa ser preferível a captação imaginativa daquilo que é mais verosímil do que verdadeiro e mais universal do que particular. Salienta que o poema deve moralizar e não apenas causar prazer. Encara o estilo como um meio de abrilhantar assuntos já muito tratados e rege-se pelo equilíbrio, pela verosimilhança e pela racionalidade. Quanto à teorização dos géneros poéticos, Cândido Lusitano situa a poesia dramática entre a tragédia e a comédia, mas não admite a noção de tragicomédia como síntese entre estas. Após dar as noções de comédia e tragédia como Luzán, autor que também mereceu a sua consideração, indica sem grande novidade os elementos necessários à formação deste último género. Em seguida critica a ópera porque acha inadmissível que "a Poesia (seja) escrava da Música" e também repudia a comédia espanhola. O Aristotelismo exagerado e a pouca originalidade são os principais problemas deste trabalho que anuncia já a doutrina estética da Arcádia.
Como referenciar: Arte Poética in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-02-23 05:59:33]. Disponível na Internet: