As Migrações Humanas no Paleolítico

Uma das características mais acentuadas do género Homo foi a sua tendência e versatilidade para ocupar novos habitats. Assim se explica a gradual difusão do Homo erectus desde as "bases" africanas e/ou asiáticas. A migração deve ter sido um processo bastante lento, resultante, talvez, de sucessivas gerações que buscavam novos territórios de caça. Os estudos realizados nas sociedades atuais baseadas na caça e recoleção demonstraram a importância de manter uma densidade de povoação relativamente baixa, com cada grupo humano a formar um total entre vinte e cinco e cinquenta indivíduos.
A difusão do Homo erectus através da África, da Europa e da Ásia resultaria numa separação dos diferentes grupos de populações, desenrolando-se, assim, uma série de características - ou símbolos de identidade - regionais. Alguns grupos tiveram que se adaptar aos climas temperados, o que explica, talvez, o uso deliberado do fogo como fonte de calor e mais tarde como elemento para a preparação de alimentos. Neste sentido, assistimos a uma progressiva expansão por todo o Mundo antigo, com exceção das regiões mais setentrionais, com as descobertas recentes a indicar a evidência das grandes "províncias" antropológicas, nas quais as populações evoluíram de forma independente, adaptando-se ao meio, mas sem um corte radical entre as mesmas. Os últimos erectus desapareceram aproximadamente há 300 mil anos.
As comunidades posteriores de homo sapiens sapiens sofreram uma diversificação adaptativa em função das diferentes geografias e climas que colonizaram. Esta diversificação está na origem das variações atuais. No decurso desta fase recente da sua evolução, a Humanidade reforçou esta expansão. A Austrália foi ocupada provavelmente há 40 mil anos, a América há mais de 20 mil. Mais recentemente e graças ao desenvolvimento técnico, as ilhas do Pacífico foram alcançadas e as regiões mais frias do hemisfério norte foram ocupadas.
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