Astrid, rainha da Bélgica

A princesa Astrid da Suécia nasceu a 17 de novembro de 1905. Era a filha mais nova do Príncipe Carlos da Suécia, duque de Västergötland, e da Princesa Ingeborg da Dinamarca. Os avós de Astrid eram o rei Óscar II da Suécia e o rei Frederico VIII da Dinamarca. Uma das suas irmãs, a Princesa Marta, desposou o futuro rei Olavo V da Noruega, enquanto que Margarida, sua irmã mais velha, contraiu matrimónio com o Príncipe Axel da Dinamarca. O seu único irmão, Carlos, duque de Östergotland, efetuou um casamento morganático, isto é, contraiu matrimónio com uma mulher de condição social inferior, a qual fica apenas com alguns dos direitos que lhe seriam devidos se fosse da alta nobreza ou de estirpe monárquica.
Em 10 de novembro de 1926, poucos meses depois de se terem conhecido num baile a que convergiu a realeza europeia, a Princesa Astrid da Suécia casou com o Príncipe Leopoldo da Bélgica (1901-83, rei Leopoldo III, 1934-51), duque de Brabante e filho do rei Alberto I e da rainha Isabel, pertencente à casa real Belga, da família Saxe-Coburgo-Gotha. A cerimónia ocorreu em Bruxelas. "Um casamento de amor, sem arranjos políticos", disse a Rainha Isabel da Bélgica.
Se era admirada pela rainha da Bélgica, sua sogra, era-o ainda mais pelos belgas, que a adotaram imediatamente, dedicando-lhe um enorme afeto nacional. Consideravam-na uma pessoa terna e meiga, compreensiva e profundamente humana. Assim, qualquer assomo público de Astrid gerava ondas de entusiasmo e encanto entre o povo, ainda mais embevecido com o casamento feliz com Leopoldo, que se manifestava como seu grande admirador, também. O amor deste casal era uma verdadeira glória belga, irradiando felicidade e contagiando-a ao povo, que apreciava imenso o facto do jovem casal se apresentar publicamente de mãos dadas, mesmo no mais oficial os atos. Astrid, duquesa de Brabante, deu à luz em 11 de outubro de 1927 o seu primeiro filho, uma menina que recebeu o nome de Josephine-Charlotte. Aproximadamente três anos depois nascia um rapaz, que viria a ser o herdeiro do trono belga. Foi batizado com o nome de Balduíno. O seu nascimento foi muito festejado entre os belgas, principalmente pela família real, bastante unida e extremamente amiga da jovem princesa Astrid. Leopoldo terá interrompido uma sua deslocação oficial para acorrer ao Palácio de Stuyvenberg, onde nasceu Balduíno. Este viria a casar com a princesa espanhola Fabíola de Mora y Aragão, enquanto sua irmã Josephine-Charlotte desposou o Grão-Duque do Luxemburgo, João. O filho mais novo de Astrid e Leopoldo, Alberto, casou com Paola Ruffo di Calabria, vindo a herdar o trono em 1993, por ocasião da morte de seu irmão, Balduíno. O filho mais velho de Alberto e de Paola, o Príncipe Filipe, é o futuro herdeiro do trono da Bélgica.
Astrid era uma princesa mas era dotada de enorme simplicidade e tinha um comportamento perfeitamente igual ao de qualquer dona de casa do seu tempo. Mesmo a sua residência oficial de Stuyvenberg era simples, como é tradição entre as casas reais escandinavas, de onde ele provinha. Cozinhava ela própria as refeições dos seus filhos, e frequentemente passeava-os pela mão nas avenidas em torno do palácio, o que encantava o povo, apesar de causar alguns embaraços à guarda real belga, pouco habituada a que o protocolo fosse assim quebrado. Com a sua proverbial simplicidade, respondia Astrid que era mais uma mãe a passear as suas crianças.
A 23 de fevereiro de 1934, alguns dias após o trágico acidente alpino que vitimou o seu sogro, o rei Alberto da Bélgica, nos Alpes, numa escalada fatal do monte Cervino, Leopoldo e Astrid entraram solenemente no Parlamento belga como novos reis do país. A seu lado vinham Josephine-Charlotte e Balduíno. Astrid, depois do juramento de Leopoldo, ergueu o seu filho Balduíno e ofereceu-o simbolicamente à Bélgica, como futuro rei que viria a ser. Alberto, entretanto, só nasceria alguns meses mais tarde, a 6 de junho de 1934. A popularidade do jovem casal real belga atingia níveis nunca vistos. Todavia, Astrid queixava-se, com tristeza, de não poder dedicar mais tempo aos seus filhos.
Cerca de uma ano depois, em agosto de 1935, Astrid e Leopoldo, juntamente com seus dois filhos mais velhos, rumaram à Suíça, para a sua villa de férias em Haslihorn, perto do lago Leman. Entre caminhadas de montanha e escaladas, Astrid e a família gozaram ali algumas semanas de descanso estival, num local que tanto apreciavam e onde podiam praticar alpinismo, uma predileção da família, ainda que de más recordações. Leopoldo era um entusiasta da montanha, como seu falecido pai, e tinha já escalado várias vezes os Alpes Dolomitas, no nordeste de Itália. Assim, mesmo no dia anterior ao regresso a Bruxelas, decidiram fazer uma última excursão às montanhas. As crianças regressaram a Bruxelas.
A 29 de agosto de 1935, o jovem casal real lançou-se para a sua última excursão de férias. O carro despistou-se e caiu por um ravina abaixo. Astrid foi violentamente cuspida da viatura, sucumbindo de imediato, perante o desespero de seu marido, ferido e soluçando de dor pela perda da mais amada das rainhas belgas, a "princesa da neve".
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