Astros (simbologia)

Os principais astros, ou elementos celestes, são os planetas. Considerando os que giram orbitalmente em torno do Sol, naquilo que é o sistema solar, os planetas são oito, se consideramos que Plutão, o antigo "nono planeta", deixou de ser considerado um planeta maior desde agosto de 2006, quando passou a planeta-anão. Os oito planetas dividem-se em dois grupos de quatro: os telúricos e os gasosos. Mercúrio, Vénus, Terra e Marte fazem parte dos primeiros, enquanto Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno são gasosos. Todos os planetas têm nomes de divindades da mitologia greco-romana.
Depois dos planetas vêm os satélites naturais, ou luas, a seguir os corpos menores do sistema solar (asteroides, cometas, centauros, etc.) e as estrelas, entre muitos tipos de menor conhecimento ou importância simbólica ou cultural.
A primeira dimensão simbólica de cada astro prende-se com sua relação com o deus greco-romano que lhe dá o nome, ou seja, Vénus, um planeta próximo do Sol, é escaldante e em fogo, como o amor que Vénus simboliza e representa na mitologia, ou Júpiter, o maior planeta corresponde ao maior dos deuses romanos, o equivalente do grego Zeus. Mas não sabemos ainda se foram as características de cada astro a darem origem à mitologia ou se foi esta que forjou a carga simbólica de cada astro. Não sabemos qual nasceu primeiro, se a mitologia, se a simbólica planetária, mas talvez ambos ao mesmo tempo, embora em locais diferentes e com interpretações diferenciadas. Cada povo criou a sua simbólica dos astros, a sua astrologia até, como o seu Zodíaco, conceitos interligados mas com expressões regionais distintas, ainda que muitas vezes estranhamente coincidentes. Paradigmas sociais e ambientais ou contextos históricos diferentes explicam esses particularismos culturais em relação à simbólica dos astros. A interpretação de cada astro é o resultado de centenas ou milhares de anos de observação, da sua interpretação ou projeção em modelos naturais, forças ou energias religiosas, associação a deuses, etc. O Sol e a Lua, ou o dia e a noite, o homem e a mulher, entre outras dimensões simbólicas são os astros mais importantes e que têm paralelismos ou similaridades em quase todas as civilizações. Representam, como os astros em geral, a consciência e uma dimensão superior à da Terra ou dos sentidos, uma elevação espiritual. Ordem universal, princípio ativo, de acordo com as suas particularidades e aspeto visual e revelação no céu, cada astro tem a sua importância simbólica. Para Aristóteles e Ptolemeu, os sete planetas e o firmamento (esfera das estrelas fixas) eram em si oito dos dez "céus" do Homem, sujeitos aos céus superiores, dos deuses. Ideia que surge na Idade Média, com Deus como criador do cosmos ("ordem", em grego), ou seja, do Sol, da Lua e do Firmamento. Os astros eram o arquétipo (modelo) de cada ação criadora e símbolo da sacralidade universal, os princípios ordenadores de tudo o que existe na Natureza, coincidindo com o universo no seu todo. Os astros eram o cosmos, a "ordem" ou o modelo das coisas, por oposição ao caos, a desordem após a expulsão de Adão do Paraíso. A meteorologia, por isso, dependia da vontade e dos caprichos dos deuses, os deuses que dão o seu nome a astros. Assim surgiram os mapas celestes, que mais não eram que teatros sacros, alegoria profanas de deuses que emprestavam o seu nome a corpos celestes.
Na Idade Média, os astros, mantendo-se a conceção aristotélico-ptolemaica, continuaram regulados pelo cosmos universal e omnipotente, Deus, criador dos elementos celestes e do mundo, centro do Universo. A Via Láctea, por exemplo, era quase como o mastro da barca do universo, em cujo leme segue Deus, como se vê no Mapa Celeste (1573), de Varese, no Palácio Farnese, em Caprarola, Itália. Deus a substituir Zeus-Júpiter, deus(es) supremo(s) na mitologia grega e romana, centro do Universo e como se fosse um sol, um astro principal, fonte de toda a vida cósmica, Hélios ou Apolo, o disco solar de Ré. Ou Cristo, o "novo sol", que se torna o novo zénite do universo, o centro dos astros, ao lado da Lua, a Virgem Maria, a substituir a egípcia Ísis ou as pagãs Diana e Silene. A lua, não uma força criadora, tornou-se símbolo da consciência reflexiva, do inconsciente, da memória. Na alquimia medieval tornou-se mesmo o elemento feminino da cópula andrógina, a rebis. A lua representava o devir cósmico, o elo de conjugação entre o céu e a terra, senhora das marés, dos ciclos semanais ou mensais, as fases da fertilidade da mulher ou os ritmos da natureza.
A grande dimensão simbólica dos astros reside naquilo a que se chama o Zodíaco, do grego zoe, "vida", e diakos, "roda", a "roda da vida", literalmente. Há um elemento masculino (ou espiritual) e outro feminino (ou material), expressões de união dos princípios vitais e da relação entre as diversas partes do cosmos. O Zodíaco simboliza a influência dos planetas na existência humana. Dividido em doze partes, doze personificações ou figurações mitológicas, foi cristianizado nos doze apóstolos e nas figuras do Ano, simbolizado muitas vezes pelo Cristo Cronocrátor ("senhor do tempo"). O Renascimento foi a época que definiu e estilizou as representações do Zodíaco e da sua simbologia astral, que foi mesmo representado em espaços da Igreja e de sacralidade inquestionável do ponto de vista cristão. Os astros são assim, nesta linha de ideias entre a mitologia clássica, filtro das civilizações mais antigas, e as conceções medievais, simbólicas e naturalistas, sem delimitações científicas rigorosas como depois do século XIX, elementos com uma forte expressão simbólica e psíquica no desenvolvimento das sociedades e no seu quotidiano, na sua organização e ritmo de vida, calendarizações, projeções mentais e explicação dos mistérios da natureza e do divino.
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