""Atá fiinda""

Recurso poético usado pelos trovadores galego-portugueses, em composições formalmente mais complexas, de mestria ou de refrão, e que consiste em encadear sintaticamente e de forma ininterrupta os versos e as estrofes de uma composição. A "Arte de Trovar", contida no Cancioneiro da Biblioteca Nacional, define esta prática do seguinte modo:

"Outrossi fezerom os trobadores algumas cantigas a que disinaram atehudas e estas podem seer tam bem de meestria, como de refran. E chamaron lhe atehudas, porque conven que a prestomeira palavra da cobra non acabe razon persi, mais ten a prima palavra da outra cobra que vem após ela de entendimento e fará tendo sem. E toda a cantiga assi deve d'ir atá a fiindar e ali deve d'enssartar e concludir o entendimento todo do que ante non acabou nas cobras."
(CBN, L.IV, cap. iii)

Como exemplo, confronte a seguinte cantiga de Joan Airas de Santiago:

Vi eu donas, Senhor, en cas d'el-rei,
fremosas e que parecian ben
e vi donzelas muitas u andei
e, mha Senhor, direi-vos ûa ren:
a mais fremosa de quantas eu vi
long'estava de parecer assi
Come vós; e muitas vezes provei
se veeria de tal parecer
algûa dona, Senhor, u andei
e, mha Senhor, quero-vos al dizer:
a mais fremosa de quantas eu vi
long'estava de parecer assi
Come vós; e, mha Senhor, preguntei
por donas muitas, que oí loar
de parecer, nas terras u andei,
e, mha Senhor, pois mh'as foron mostrar
a mais fremosa de quantas eu vi
long'estava de parecer assi.

(CBN 890 Cant. d'Amor)
Como referenciar: ""Atá fiinda"" in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-10-21 23:52:43]. Disponível na Internet: