atenção

Dentro do complexo mundo percetivo, há a destacar um fator de relevante importância: a atenção.
O grau de atenção com que um indivíduo observa determinado fenómeno define a maior ou menor quantidade de situações que o sujeito perceciona. Assim, quanto maior for a atenção dispensada a certo fenómeno, maior é a quantidade de informação que o indivíduo retém acerca do fenómeno que observou.
A atenção atua como uma espécie de filtro que seleciona a informação em diversos aspetos, pelo que a atividade percetiva é uma construção do meio percetual no qual o sujeito está sempre empenhado. É considerada uma capacidade limitada do ser humano; sabe-se por exemplo, que a realização de duas tarefas em simultâneo pode ou não ser possível, consoante a complexidade das mesmas. A aprendizagem, o nível de vigília e a motivação são fatores que influenciam o grau de atenção, mas também a condicionam, já que o sujeito recebe influências do exterior, porém só parte dela é que é selecionada e a atenção é responsável por essa seleção.
Uma grande quantidade de informação chega ao sujeito através da memória sensorial na sua vertente econónica (visão), ou ecoica (audição) e, tendo em conta os seus valores semânticos e a subjetividade do sujeito, a atenção vai buscar a informação a estes centros para a processar, mas só uma pequena quantidade de informação chega de facto ao sujeito.
A atenção tem algumas limitações:

- Energia - há uma determinada capacidade energética que não pode ser ultrapassada e no caso de ser excessiva deixa de funcionar.
- Espaço - a cada espaço corresponde uma informação (ação) direcionada. As ações que não cabem naquele espaço não são realizadas.
- Animada - se a atenção é dividida, não se consegue assimilar e deixa de funcionar.

Assim, pode-se dizer que existe uma incapacidade de realizar tarefas complexas em simultâneo. Existe, sim, um nível ótimo de vigília que permite processar a informação com êxito. Existe a possibilidade de realização em simultâneo de uma tarefa complexa com outra menos complexa e há uma série de tarefas automáticas que o ser humano consegue realizar em simultâneo.
A atenção automática surge sempre em casos de tarefas automatizadas e é um tipo de atenção mais limitada. Esta atenção necessita da intervenção da aprendizagem e não interfere com outras atividades mentais do sujeito. Pode-se realizar duas tarefas automáticas ao mesmo tempo.
Perante um acontecimento novo, a atenção passa a ser consciente e mais ilimitada. Esta atenção é mais lenta mas permite processar mais conhecimento. Permite, também, a intervenção da variância do meio e não é possível realizar duas tarefas que requerem a atenção consciente ao mesmo tempo.
Na memória sensorial existe uma grande capacidade de informação, mas tempo reduzido de permanência da mesma informação. A informação fica retida aqui, até que a atenção focalize a informação e a processe, e o resto perde-se.
Há uma ligação entre todo o processo de memória e o da atenção, um sem o outro não é possível de ocorrer, já que a atenção vai permitir que o sujeito processe determinada informação e é através da memória que o sujeito permite conduzir a atenção para o reconhecimento de uma informação em detrimento de outra.
Existem três tipos de perturbações da atenção:

- Qualitativas - grande volume de atenção em casos de mania e baixo volume de atenção em casos de ansiedade, depressão ou debilidade mental.
- Estabilidade - falta de concentração e instabilidade em casos de mania.
- Oscilação - momentos de desinteresse.

Existem várias teorias sobre a atenção. Por exemplo, na teoria de Broadbent, em 1958, defende-se que a atenção seleciona os estímulos pelas suas características físicas procuradas pelo sujeito. Quando dois estímulos entram na base do processamento de informação na memória sensorial em simultâneo, um fica em "stand-by" e o que é em primeiro lugar processado é o mais importante para o sujeito. O outro tem um tempo útil para ser processado e, se não for, vai-se perder, e o sujeito não vai ter conhecimento dele. Existe, assim, um filtro que seleciona a informação que a atenção vai captar em primeiro lugar, dependendo de ser desejada ou não pelo sujeito.
A teoria de Treisman, em 1964, é baseada na teoria de Broadbent, e explica que a atenção tem um carácter mecanicista e é influenciada por valores imanentes ao sujeito e com a própria vivência do sujeito. Apesar de toda a informação chegar à memória sensorial, só uma parte é processada, principalmente aquela que tem mais valor para o sujeito.
Existe uma espécie de filtragem de informação, não se envia nada fora, a informação permanece toda, mas é hierarquizada. A informação que não interessa é processada de uma forma mais deficiente e assim tende a ser perdida.
Na teoria de Deutsch, uma teoria muito próxima das ideias de Broadbent, apenas difere a zona onde o filtro atua. Todos os estímulos que são recebidos no centro sensorial vão ser objeto de diferente análise e só depois é que são selecionados. O sujeito só vai processar aqueles que têm significado para ele, tendo em conta as características físicas do estímulo.
Mais tarde, em 1980, Treisman tem outra teoria sobre a atenção: diz que esta é a integração de características significativas, que se referem a um valor particular numa determinada dimensão.
Existe, por último, a teoria de Shiffrin e Schineder, em que se considera a memória imediata como um fator ativo da memória de educação.

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