atualização (economia)

No âmbito do cálculo financeiro existe uma regra básica segundo a qual os agentes económicos têm preferência pela posse de capital no presente face à alternativa de essa posse se verificar apenas no futuro. Esta regra verifica-se designadamente pelo facto de existir risco nas operações financeiras derivado do decorrer do tempo.
Daqui se pode concluir que uma unidade monetária no momento presente não tem o mesmo valor que a mesma unidade monetária no futuro, pelo que estão em causa bens economicamente diferentes, que não se podem comparar ou adicionar diretamente.
De facto, o conceito base que vai permitir proceder à comparação intertemporal de capitais vai ser a taxa de juro, que reflete o valor do dinheiro no tempo, permitindo por essa via a comparação entre duas unidades monetárias em momentos do tempo diferentes.
Neste contexto, a operação ou método económico-financeiro denominado de atualização é aquele que permite a um determinado agente económico saber quanto vale hoje um determinado valor futuro. Para tal, é necessário que o agente proceda à escolha da denominada taxa de atualização, que normalmente toma como referência a taxa de juro vigente no mercado.
Algebricamente, a atualização consiste na divisão do valor do capital no momento futuro por um fator que inclui a taxa de atualização e o número de períodos, tendo em conta a referência temporal dessa taxa, necessários para se chegar ao momento presente. Em concreto, esse fator corresponde à soma da taxa de atualização com a unidade, tendo essa soma como expoente precisamente o número de períodos necessários para proceder à atualização do valor futuro em causa. Da operação de atualização resulta então o valor atual do capital futuro de que se partiu.
A atualização de capitais é utilizada em várias áreas da economia e da gestão, designadamente na análise de investimentos e na avaliação de empresas.
Ao nível da análise de investimentos, a utilização do método de atualização justifica-se pelo facto de um determinado agente económico, depois de ter efetuado previsões relativamente a rendimentos futuros líquidos (receitas deduzidas das despesas) que vão derivar de um investimento, ter interesse em saber se a soma dos referidos rendimentos líquidos justifica ou não o avançar para o projeto em causa. Aliás, um dos principais critérios de avaliação de projetos de investimento - o VAL (Valor Atualizado Líquido) - utiliza para o seu cálculo, como o próprio nome indica, o método de atualização. Neste caso concreto, é feita a atualização da soma dos cash-flows do projeto, cada um deles referente a um determinado momento do tempo, de tal modo que se pode concluir, através do VAL, que um investimento é viável se a soma dos seus cash-flows atualizados for positiva.
De referir que, no caso da avaliação de investimentos, a taxa de atualização, embora parta normalmente da taxa de juro de referência para o agente económico (aquela que lhe é aplicável no mercado financeiro), deve tomar em consideração outros aspetos relevantes, como seja o limiar de rendibilidade dos capitais próprios considerado adequado por esse mesmo agente. Desta forma, é muitas vezes utilizada como taxa de atualização o chamado custo médio ponderado do capital.
No que respeita à avaliação do valor de empresas ou outras entidades, o conceito de atualização é também muito utilizado, designadamente pelo facto de possibilitar a tomada em consideração na análise do valor atual correspondente ao valor futuro esperado de várias grandezas, como seja o volume de negócios.
Como referenciar: Porto Editora – atualização (economia) na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-09-27 00:14:03]. Disponível em