Badi Assad

Instrumentista e cantora brasileira, Mariângela Assad Simão nasceu em 1966, em S. João da Boavista, São Paulo, no Brasil. Com três anos, foi presenteada com um órgão elétrico e, nele, ensaiava as primeiras notas, sempre estimulada pelos irmãos mais velhos a cantar e a descobrir a música. Com eles, começou por descobrir Tom Jobim. Aos 7 anos, a jovem Mariângela já frequentava aulas de piano mas o velhinho órgão da família já não dava conta dos exercícios que fugiam às duas escalas. Sem hipóteses de comprarem um piano, a solução foi encontrar algum amigo que tivesse um disponível para a jovem aprender. A solução foi Dom Nei, um amigo da família que, por morar muito longe, obrigava Mariângela a longas caminhadas para praticar piano. A aventura no piano não duraria mais do que seis meses. Com 13 anos, a família regressa à cidade natal e Mariângela começa a ter aulas de dança. Aos 15 anos, uma carta do irmão avisava-a do Concurso Jovens Instrumentistas, a realizar no Rio de Janeiro. Com essa carta, iniciou-se um fluxo recorrente de missivas do irmão a incentivá-la para estudar piano e dando-lhe as partituras e indicações para aprender a ler música. Também nesta fase, começa a acompanhar o pai, tocador de bandolim, começando a tocar viola. Venceria o Concurso Jovens Instrumentistas e voltou para o Rio de Janeiro, inscrevendo-se no curso de bacharelato em violão. E, no mesmo ano (1984), foi a melhor brasileira no Concurso Internacional de Violão Villa-Lobos. É por essa altura que integra o Le Due Romantique, duo de violas de Fá Assad (na época, namorada do irmão) e que tinha ficado sem a sua parceira artística habitual. Tal experiência levou-a ao contacto com a música romântica do século XIX. Foi no Le Due Romantique que teve a sua primeira viagem internacional. No regresso ao Brasil, depois de algumas atuações, matricula-se em aulas de dança, canto e teatro e, volvido algum tempo, é eleita para representar o Brasil no Concurso de Violão Vinã del Mar. A preparação do certame leva-a a regressar a casa dos pais, buscando o refúgio certo para preparar o novo repertório. O excesso de estudo provocou-lhe um calombo na mão direita que quase colocou em risco a participação no festival. Não ganhou nenhum prémio mas percebeu, com o desgaste da experiência, que a guitarra erudita não era o seu mundo. O primeiro disco, Dança dos Tons, chegaria às lojas em 1989. No ano seguinte, Eduardo Fraga, seu professor de dança, fala-lhe de uma amiga, ex-bailarina do Stagium, Tatiana Cobbett, que estava a selecionar pessoas para o musical Mulheres de Holanda. Apresentando-se inicialmente para uma vaga de instrumentista, depois de perceber que a viola não fazia parte do elenco, concorreu, e viria a ser escolhida, para o lugar de cantora. Um ano em cartaz, cinco dias por semana, foi a melhor escola de canto que Badi Assad poderia ter tido. A edição de Solo (1994) despertaria o interesse além-fronteiras pela sua música e surgem os primeiros convites, a par dos habituais festivais de guitarra, para eventos de jazz e world music. O fim do contrato com a Chesky Records, em 1994, e o conhecimento com Jeff Young, com quem viria a casar, empurraram-na para Los Angeles e para um compromisso com uma subsidiária da Polygram. Desse novo acordo, o primeiro rebento foi Chameleon (1998). O álbum foi o facto de consagração internacional de Badi Assad, com ampla digressão nos mercados europeus e nos circuitos especializados da world music. Num desses eventos, travou conhecimento com a percussionista Simone Soul. Com ela e Jeff Young, formaria um trio. Por esta altura, Badi Assad começou a sentir uma estranha dormência na mão esquerda e o trio foi obrigado a cancelar metade da tournée prevista para a costa oeste dos Estados Unidos da América. Em 1999, foi-lhe diagnosticada uma distonia focal, da qual recuperou ao fim de dois anos, não vencendo completamente as limitações. Durante esse período, Badi Assad raramente se mostrou em público e, quando o fez, apenas cantava. Em 2001, depois de quatro anos fora do país, Badi volta a fixar-se no Brasil. Algumas incursões na música de cariz mais erudito marcaram os tempos seguintes, como são os exemplos da temporada com a Orquestra Experimental de Repertório, no Teatro Municipal de São Paulo (2001) e com o violinista e compositor Carlinhos Antunes, em 2003. Esse ano seria particularmente ativo, com a aparição em concertos de Toquinho e a gravação do registo Three Guitars, ao lado de duas lendas americanas, os guitarristas Larry Coryell e John Abercrombie. Um ano depois, com os violinistas Matin Taylor, Peppino D'Agostino e Brian Gore, fez um ciclo de concertos no Canadá. Terminado esse ciclo, seguiu-se a promoção de Three guitars na Europa e nos Estados Unidos da América (2005). Em 2006, gravou Wonderland, um título que era o contraponto irónico aos dramas humanos que inspiraram as composições.
Discografia
1989, Dança dos Tons
1994, Solo
1995, Juarez Moreira e Badi Assad
1995, Rhythms
1997, Echoes of Brazil
1998, Chameleon
2003, Dança das Ondas
2003, Three Guitars
2004, Verde
2004, Ondas
2006, Wonderland
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